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CARCINICULTURA

Mapa da Funceme revela que criação de camarão cresce no Ceará

Centenas de agricultores cearenses estão hoje investindo na criação de camarão, principalmente na região do Baixo Jaguaribe

Em 2023, área ocupada com tanques de criação de tilápia e camarão era de 14.603 hectares; em 2025, ela saltou para 16.233. No Baixo Jaguaribe há 2.274 criadores de camarão

Elaborado em 2023, pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o Mapeamento das Áreas Ocupadas com Tanques de Aquicultura no Estado foi atualizado e, agora, revela que, de lá até aqui, houve crescimento: em 2023, a área ocupada pelos tanques era de 14.603 hectares; ela se expandiu para 15.288 hectares em 2024; e para 16.233 hectares no ano passado de 2025. Um percentual, porém, não mudou: toda essa área continua representando apenas 0,1% de todo a geografia do Ceará. Outra revelação da atualização do mapeamento da Funceme: a presença da atividade aquícola também se expandiu no território, passando de 69 municípios em 2023 para 72 em 2024 e 2025. Nesses três anos, a concentração manteve-se predominantemente ao longo do Litoral e no Centro Oeste do estado. 

Em toda essa área, desenvolve-se, mais acentuadamente, a atividade da carcinicultura (cultivo de camarão) e, em seguida, a da tilapicultura (no Litoral de Acaraú, há grandes áreas ocupadas com tanques de aquicultura nos quais é cultivada a tilápia, o peixe mais consumido pelos cearenses do interior e da capital do estado).  

Outro dado relevante do estudo da Funceme: “A Bacia do Baixo Jaguaribe manteve-se na liderança isolada durante os três anos mapeados, abrigando quase a metade de toda a área aquícola do estado (entre 46% e 47%). Em 2023, a bacia possuía 6.807 hectares, área que cresceu para 7.056 hectares em 2024 e alcançou 7.487 hectares em 2025. As Bacias do Coreaú e Metropolitana mantiveram-se nas posições seguintes em todo o período, concentrando juntas mais de 20% da atividade.” 

Há exatamente uma semana, Eliane Brasil, superintendente do Banco do Nordeste no Ceará, ouviu do empresário Cristiano Maia, maior criador de camarão do Brasil e presidente da Camarão BR, entidade que reúne os maiores carcinicultores do país, a informação — ratificada pelo secretário Executivo do Agronegócio da SDE, Silvio Carlos Ribeiro – de que, somente na região do Baixo Jaguaribe, há 2.274 criadores de camarão, que precisam de financiamento do BNB para a ampliação do seu negócio, mas não conseguem por causa da demorada burocracia do banco. 

Voltemos ao mapeamento da Funceme: os cinco municípios líderes da aquicultura cearense apresentaram crescimento contínuo em suas áreas aquícolas ao longo da série temporal, porém com uma mudança importante na liderança em 2025: 

“A inversão no topo: em 2023 e 2024, o município de Aracati liderava o ranking (com 2.531 hectares e 2.552 hectares, respectivamente), seguido de perto por Jaguaruana (2.426 ha e 2.524 hectares). Em 2025, houve uma inversão e Jaguaruana assumiu a primeira posição ao alcançar 2.631 hectares, deixando Aracati em segundo lugar com 2.591 hectares. Juntos, ambos continuaram representando 32% a 33% de toda a área aquícola cearense.

“Crescimento do restante do Top 5: Acaraú, Beberibe e Limoeiro do Norte mantiveram suas posições e, também, aumentaram suas áreas progressivamente ano após ano: Acaraú saltou de 1.478 hectares em 2023, para 1.638 hectares em 2025; Beberibe cresceu de 1.061 hectares em 2023 para 1.115 hectares em 2025; e Limoeiro do Norte passou de 732 hectares em 2023 para 920 hectares em 2025.” 

De acordo com o mapeamento da Funceme, “a série temporal evidencia que a consolidação e a intensificação das estruturas produtivas da aquicultura no Ceará estão em franca ascensão, reforçando o crescimento econômico desse setor no estado”, o que significa, em linguagem de arquibancada, que está na hora de o BNB, principal agência de fomento do Nordeste, olhar com mais atenção para a aquicultura do Ceará.  

Essa atividade tem atraído centenas de famílias cearenses, que estão a trocar a duvidosa agricultura de subsistência pela rentável criação de camarão e tilápia. Ela é rentável, mas exige cuidados, muitos cuidados, e tanto isto é verdade, que a Camarão BR e a Associação dos Produtores de Camarão do Ceará desenvolvem esforços no sentido de transmitir aos noviços carcinicultores providências essenciais, que incluem, segundo o Google, “qualidade da água, biosseguridade, manejo alimentar e planejamento”

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