Espaço será dedicado ao desenvolvimento de produtos à base de café, pesquisa gastronômica, qualificação profissional e fortalecimento da economia criativa no Maciço de Baturité
A tradição cafeeira da Serra de Baturité está prestes a ganhar um novo ingrediente: a inovação. O Centro de Referência do Café de Sombra deu mais um passo para consolidar sua atuação como polo de desenvolvimento territorial ao firmar uma parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) para a implantação da Cozinha Experimental do Café, espaço voltado à pesquisa, ao desenvolvimento de novos produtos, à qualificação profissional e ao fortalecimento da cadeia produtiva do café de sombra.

Na semana passada, o Centro recebeu a visita técnica da Dra. Alessandra Pinheiro, coordenadora do Mestrado em Gastronomia da UFC, e da Dra. Mattu Macedo, coordenadora do Projeto de Extensão UFChefs e Gastronomia em Movimento. O encontro reuniu representantes da UFC, do Centro de Referência do Café de Sombra e do Instituto Habitat Criativo para definir as próximas etapas da implantação do laboratório, cuja inauguração está prevista para agosto.
A proposta é transformar a cozinha em um ambiente permanente de experimentação gastronômica, onde o conhecimento científico dialoga com os saberes tradicionais das comunidades produtoras da Serra de Baturité.
O espaço será destinado ao desenvolvimento de receitas e produtos de maior valor agregado elaborados a partir do café de sombra cultivado na região, incluindo doces, bebidas, trufas, brownies, licores e outras criações gastronômicas que ampliem as possibilidades de comercialização e fortaleçam a identidade do território.
Além da pesquisa aplicada, a Cozinha Experimental atuará como centro de capacitação para agricultores, empreendedores, cozinheiras, jovens e grupos produtivos locais, promovendo oficinas, cursos e intercâmbio de conhecimentos entre a universidade e as comunidades serranas.

A iniciativa também reforça o protagonismo feminino na cadeia produtiva do café de sombra, estimulando o empreendedorismo e apoiando mulheres que já desenvolvem produtos artesanais a partir do café e de outros ingredientes típicos da Serra de Baturité.
Para a Dra. Mattu Macedo, a parceria aproxima a universidade da realidade dos produtores e amplia as possibilidades de formação dos estudantes. “O contato com o território e com todo o contexto da produção do café de sombra proporciona aos nossos estudantes uma experiência única de aprendizagem. Eles passam a compreender desde a origem do alimento até as possibilidades de inovação gastronômica, pesquisa e empreendedorismo. Ao mesmo tempo, essa parceria fortalece a comunidade local, que já possui o conhecimento prático, oferecendo suporte técnico para desenvolver produtos com segurança alimentar, padronização, planejamento e geração de negócios e renda. A qualidade do café de sombra da Serra de Baturité, aliada à sua história e às características do território, resulta em produtos gastronômicos verdadeiramente diferenciados”, comenta.
Para Rose Henud, coordenadora do Centro de Referência do Café de Sombra, a parceria representa um novo momento para a cafeicultura serrana. “Estamos unindo o conhecimento produzido na universidade aos saberes construídos pelas famílias que cultivam o café de sombra há gerações. A Cozinha Experimental será um espaço de inovação, mas também de valorização da nossa identidade. Queremos mostrar que o café produzido na Serra de Baturité pode gerar muito mais do que uma excelente bebida: pode criar novos produtos, oportunidades de trabalho, fortalecer o protagonismo feminino e impulsionar o desenvolvimento econômico da região”, explica.
Segundo a coordenação do projeto, a cozinha faz parte de uma estratégia mais ampla de desenvolvimento territorial, que utiliza o café de sombra como ferramenta de geração de renda, preservação ambiental, turismo de experiência, cultura e economia criativa.
Outro diferencial da iniciativa é a integração com a nova sede do Instituto Habitat Criativo, que contará com uma loja colaborativa destinada à comercialização dos produtos desenvolvidos por agricultores, empreendedores e grupos produtivos da Serra de Baturité. A proposta fortalece a economia circular e amplia as oportunidades de mercado para os produtos ligados à cultura cafeeira da região.
Cultivado sob a sombra da Mata Atlântica, o café produzido no Maciço de Baturité é reconhecido por conciliar qualidade, conservação ambiental e tradição. Com a implantação da Cozinha Experimental, o Centro de Referência do Café de Sombra amplia sua atuação como espaço de pesquisa, formação e inovação, conectando universidade, produtores e comunidade em torno de um modelo de desenvolvimento que valoriza o território e cria novas perspectivas para a cafeicultura cearense.

