Paulo Câmara, presidente do BNB, fala para empresários cearenses da agropecuária. Uma reunião com final feliz .
Empresários da agropecuária cearense ouvem o presidente do Banco do Nordeste e pedem a ele mais crédito e menos burocracia
Começou com abraços e apertos de mão e terminou com uma feliz foto em família a reunião, ontem, de 33 empresários do agro cearense com o presidente do Banco do Nordeste (BNB), economista Paulo Câmara. Ao longo de duas horas, Câmara expôs as linhas de financiamento que o BNB dispõe para os diferentes setores da agropecuária nordestina e ouviu, digamos assim, queixas e reclamações sobre o que os anfitriões consideraram burocracia excessiva do banco.
Saudado pelo empresário Tom Prado, CEO da Itaueira e coordenador do grupo neste ano, Paulo Câmara foi informado por Jorge Parente, sócio e membro do Conselho de Administração da Alvoar (ex-Betânia), sobre o histórico daquele conjunto de pessoas que o recebiam.
“Este grupo reúne-se semanalmente há 19 anos, e no próximo celebrará 20 anos de existência. Aqui não há ata, tudo é informal, a única formalidade é a mudança anual da coordenadoria. Aqui, nada é individualizado, pois o objetivo de todos é o desenvolvimento da agropecuária do Ceará”, disse Jorge Parente.
O presidente do BNB – ladeado pela sua superintendente no Ceará, Eliane Brasil; pelo seu superintendente do Agronegócio no Nordeste, Luís Sérgio; e por Pedro Albertoni, que integra a equipe técnica da superintendência cearense – falou em seguida, sendo ouvido com muita atenção pelos presentes, que receberam uma chuva de números relativos ao excelente desempenho financeiro do banco no atual exercício.
Depois, Paulo Câmara expôs-se ao debate. E ouviu, também com atenção, o que lhe disseram alguns empresários presentes. Santana Júnior, que atua na carcinicultura, apresentou duas demandas que considerou relevantes para o crescimento da criação de camarão, atividade que, no Ceará, no Rio Grande do Norte e no Piauí, já mobiliza milhares de famílias, que largaram a enxada da agricultura e se tornaram carcinicultores.
A primeira demanda diz respeito às operações do FNE (Fundo Constitucional do Nordeste) destinadas à aquisição de aeradores e alimentadores automáticos. De acordo com Santana Júnior, a Camec não oferece seguro para esses equipamentos, “criando uma dificuldade para a estruturação e segurança das operações de financiamento, razão pela qual precisamos encontrar uma solução que permita a garantia desses bens e a maior segurança ao produtor e ao próprio banco”.
A segunda demanda diz respeito à necessidade de uma “urgente revisão dos critérios de avaliação das áreas de carcinicultura”. Hoje, o investimento necessário para a implantação de um hectare de produção de camarão é de aproximadamente R$ 200 mil
“Entretanto, alguns avaliadores estão atribuindo a essas áreas valores de apenas R$ 40 mil, R$ 50 mil e, no máximo, R$ 55 mil por hectare. Essa enorme diferença entre o investimento real e o valor atribuído nas avaliações compromete diretamente a capacidade de financiamento, investimento e crescimento do setor”, argumentou Santana Júnior, na opinião de quem esse critério precisa de ser revisto. Ele considerou que a parceria dos carcinicultores com o BNB “é fundamental para que esse crescimento aconteça, e desde já me coloco à disposição do banco para contribuir, tecnicamente, para a construção de critérios mais adequados à realidade econômica e produtivo do nosso setor”.
Também falou Cristiano Maia, maior criador de camarão do país, com grandes fazendas de produção no Rio Grande do Norte e no Ceará. Ele apontou alguns entraves burocráticos na liberação de recursos e questionou a direção do BNB quanto a exigência de sucessivas licenças ambientais.
Segundo Maia, não deveria ser papel do banco público assumir “essa função fiscalizatória, especialmente considerando que instituições financeiras privadas não fazem as mesmas exigências”. Ele disse que o Cartão BNB é muito importante para os carcinicultores, que há tempos pleiteiam esse instrumento de crédito, e em resposta ouviu, com alegria, a informação do superintendente Luiz Sérgio de que esse cartão de crédito para os criadores de camarão será liberado neste segundo semestre.
Falou, ainda, o empresário Gentil Linhares, dono do Grupo Bomar, que atua na produção de camarão e tilápia. Linhares considerou o Cartão BNB “um instrumento importante “para dar ao carcinicultor mais agilidade, mais capacidade de investimento e mais competitividade”. Mas chamou a atenção para os custos que acabam incidindo sobre as operações do BNB, citando entre eles o seguro das operações; os custos cartoriais, que podem chegar a 10%; e o fundo de liquidez, correspondente a 5% do valor da operação, que precisa permanecer retido e aplicado no próprio BNB.
Jorge Parente também falou, reforçando as dificuldades causadas pela burocracia nos processos do BNB.
Ao final, o presidente Paulo Câmara – sobre quem esta coluna já disse que se trata de um gestor sério e que, como a mulher de César na Roma antiga, parece sério – fez uma reflexão com a qual a reunião foi encerrada com demorados aplausos. Ele disse, com outras palavras:
“Como governador de Pernambuco, eu tinha boas ideias e uma grande burocracia, mas não tinha recursos. No BNB, temos boas ideias, temos recursos, mas a burocracia ainda é um entrave.”
No final da reunião, felizes com o seu bom desfecho, todos posaram juntos para fotos.

