A construção da Ferrovia Transnordestina alcançou um novo marco ao registrar o maior ritmo diário de montagem desde o início das obras. As equipes concluíram 1,69 quilômetro de ferrovia em um único dia durante a instalação de 3,36 quilômetros de trilhos no Lote 5, localizado no município de Quixeramobim, no Ceará.
Segundo o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, a obra já conta com mais de 100 quilômetros de ferrovia concluídos, dentro de uma malha projetada de mais de 1.200 quilômetros. A primeira fase do empreendimento está com aproximadamente 81% de execução, e a expectativa do governo federal é concluir essa etapa em 2027.
Investimento
Considerada a maior obra linear em execução no Brasil, a Transnordestina já recebeu R$ 9,8 bilhões em investimentos. O orçamento total previsto é de R$ 15 bilhões, valor que evidencia a dimensão do projeto e sua importância para a infraestrutura logística do Nordeste.
Em março deste ano, o governo federal aprovou a liberação de mais R$ 152,4 milhões do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), para manter o ritmo das obras. O fundo é um dos principais financiadores da ferrovia e já destinou mais de R$ 6,6 bilhões ao empreendimento.
A participação do FDNE insere a Transnordestina entre os principais projetos estruturantes apoiados pela União na região. A ferrovia é vista como instrumento para aumentar a competitividade das empresas, reduzir custos de transporte e ampliar oportunidades de emprego e renda nos municípios atravessados pela malha.
“Nós vamos avançar em ritmo acelerado para concluir essa ferrovia, que é fundamental na geração de empregos e oportunidades na área logística do país”, afirmou o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.
Extensão
Com 1.206 quilômetros de extensão, a Transnordestina ligará o município de Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará, passando por 53 municípios. O traçado foi planejado para conectar áreas produtoras do interior nordestino a uma das principais estruturas portuárias do país, ampliando a capacidade regional de escoamento de cargas.
A ferrovia deverá transportar grãos, fertilizantes, combustíveis, cimento e minério. Entre os principais produtos beneficiados estão soja e milho, produzidos especialmente em áreas de expansão agrícola do Piauí e de estados próximos. A conexão ferroviária com o Porto do Pecém tende a facilitar o acesso dessas mercadorias aos mercados nacional e internacional.
A redução do custo logístico também pode aumentar a competitividade dos produtos nordestinos. O Porto do Pecém deverá ocupar posição central nessa estratégia. A ligação ferroviária pode ampliar o fluxo de cargas no complexo portuário cearense, atrair novas operações industriais e logísticas e estimular investimentos em armazenagem, terminais, distribuição e serviços associados ao comércio exterior.
Além dos impactos de longo prazo, a obra já movimenta a economia nos municípios por onde passa. A construção demanda trabalhadores, máquinas, materiais, alimentação, hospedagem, transporte e serviços locais. Esse movimento gera efeitos sobre comércio, arrecadação e renda, ainda que parte das vagas tenha caráter temporário.
O recorde de montagem registrado em Quixeramobim sinaliza uma aceleração no ritmo de execução, mas a conclusão do empreendimento continua dependendo da manutenção dos investimentos e do cumprimento dos cronogramas. Quando concluída, a Transnordestina deverá criar um novo corredor de exportação no Nordeste.

