A suinocultura cearense tem crescido em quantidade e qualidade graças a investimentos na melhoria genética e a modernos frigoríficos
Suinocultura do Ceará cresce graças ao melhoramento genético do rebanho e aos investimentos que também se fazem em modernos frigoríficos
Boas enchentes registraram-se, no fim de semana, nos rios, riachos e talvegues da região do Cariri, no Sul do Ceará. E toda essa água caiu no rio Salgado, de cujo leito está agora saltando para o do Jaguaribe que, à montante, já havia enchido e provocado o vertimento do Orós, com o que contribui para a recarrega do Castanhão, o maior açude cearense, à jusante.
É um milagre que a providência divina permitiu em pleno mês de maio, mas explicado pela ciência como efeito da ação da Zona de Convergência Intertropical (ZVIT), que se estende pelos estados de PE, PB e RN.
Resultado: estão garantidos, ao longo deste ano, o abastecimento de água dos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza e as atividades econômicas do Baixo Jaguaribe, onde opera e prospera um polo industrial em Quixeré (capitaneado pela grande fábrica da Companhia de Cimento Apodi) e outro agropecuário na geografia de Limoeiro do Norte, ambos na Chapada do Apodi.
O pecuarista Luiz Girão, dono da Fazenda Flor da Serra, celebrou estas boas notícias na Espanha, onde se encontrava domingo em férias. No grupo social de que participa, ele postou uma mensagem de estímulo aos seus colegas criadores de gado leiteiro, sugerindo-lhes que o imitem no cultivo de milho, sorgo, capim e palma forrageira, que, colhidos, transformados em volumosos e ensilados, garantem a alimentação do rebanho durante toda a temporada de estio, que vai começar até o fim deste mês.
No Ceará, há grandes produtores de leite bovino, e Girão é um deles, produzindo, diariamente 22 mil litros. Há maiores do que ele, mas estes preferem o anonimato, protegendo-se contra a visibilidade “e, também, contra a inveja, algo que tem muito no interior”, como confessa outro pecuarista de cujas vacas extrai, diariamente, 25 mil litros de leite de excelente qualidade, graças à boa genética de seu rebanho, produto do cruzamento da raça taurina Holandesa, famosa por sua alta produtividade leiteira, com a zebuína indiana Gir, cuja rusticidade e cuja resistência ao calor encantam até hoje o criador brasileiro e o nordestino, particularmente.
Um pouco desse e de outros prodigiosos cruzamentos estará em exposição nos dias 25, 26 e 27 do próximo mês de junho, no Centro de Eventos do Ceará, durante a PecBrasil, novo nome da Pecnordeste, maior feira do agro nordestino e uma das maiores do país (mais de 100 mil visitantes), promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Ceará (Faec), cujo presidente Amílcar Silveira tem palavras de elogio ao girolando.
Ele lembra, porém, que o rebanho bovino cearense está hoje prenhe de novas raças, principalmente as de corte, citando a Nelore Myo, cujos animais, fêmeas ou machos, têm dupla musculatura e se adaptaram muito bem às condições do clima do Cariri, onde se multiplica graças ao esforço de criadores locais liderados por Yuri Landim.
Mas não é só a pecuária bovina que avança no Ceará. A pecuária suína tem experimentado nos últimos anos um crescimento notável na quantidade e na qualidade do rebanho. Exemplo disto é a Granja Croatá, do empresário João Franco, que, no distrito de Antônio Diogo, em Redenção, tem 1.100 matrizes que lhe garantem um rebanho disputado pelos frigoríficos.
Na última sexta-feira, como faz semanalmente, ele mandou para o frigorífico Companhia da Terra, em Aquiraz, 250 animais, cada um com o peso de mercado – 110 quilos. É nos frigoríficos que são feitos os chamados “cortes especiais”, que fazem da carne suína um produto altamente consumido aqui e em todo país, enchendo e embelezando as gôndolas dos supermercados. João Franco explica:
“A carne suína moderna passou por uma grande evolução genética e nutricional ao longo dos anos, tornando-se uma proteína de alto valor biológico, rica em vitaminas, minerais e com cortes cada vez mais magros e versáteis.
“Além disso, o setor vem investindo fortemente no bem-estar animal, manejo sanitário e rastreabilidade, garantindo produtos seguros e de excelência ao consumidor final. Os animais criados nas granjas cearenses seguem elevados padrões técnicos e sanitários, resultado de anos de investimento em genética, alimentação balanceada e manejo especializado.
“Essa parceria entre produtores e frigoríficos fortalece o agro do Ceará, gerando emprego, renda e desenvolvimento econômico para o estado. Neste contexto, destaco o importante trabalho realizado pelos frigoríficos parceiros, como o Companhia da Terra, o Frigorífico Guaiúba e o Fricol.”
Conclusão: é bom prestar mais e melhor atenção à suinocultura do Ceará.

