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ALECE

Autoridades cobram fortalecimento da cajucultura no Ceará em audiência pública na Alece

Deputado Felipe Mota (União) defendeu mais incentivos para o setor

Os desafios e as oportunidades do setor da cajucultura no Ceará foram debatidos em audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira (28/11) na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece). Para o propositor do debate, deputado Felipe Mota (União), há uma cadeia imensa do setor, sobretudo nas regiões do Sertão Central e do Maciço de Baturité, que necessita de uma atenção maior por parte do poder público.

Segundo o parlamentar, é recorrente que produtores o procurem se queixando da falta de incentivos. “Eles dizem que sentem falta de incentivo e que essa situação faz com que eles tenham uma produção diminuída. Relatam ainda que esse setor poderia gerar muito mais empregos”, salientou.

Audiência foi realizada no Complexo de Comissões Técnicas da Alece 

Felipe Mota demonstrou ainda a preocupação de que aconteça com a cajucultura uma situação semelhante à que aconteceu com a cadeia do algodão no Ceará, que, em sua avaliação, quase foi extinta entre as décadas de 1970 e 1980. “Eu não quero que aconteça com o caju o que aconteceu com o algodão, porque é algo da nossa identidade, da nossa cultura e está no nosso sangue. Espero que essa discussão entre na pauta pública em 2026, que esse tema entre na agenda política”, defendeu.

Na avaliação do presidente do Instituto Caju Brasil, Maurício Campos, o debate sobre a cajucultura deve ser isento de ideologias ou interesses políticos, devendo se pautar unicamente pelo viés do desenvolvimento do setor. “É extremamente importante tirar do papel algumas iniciativas que já foram dialogadas e construídas de forma coletiva no passado e que não se efetivaram, como, por exemplo, a implementação, em 2001, no governo Tasso Jereissati, do suco de caju na merenda escolar do Estado”, comentou.

De acordo com Maurício Campos, há apenas trabalhos pontuais de algumas prefeituras cearenses que implementaram o suco, a cajuína ou o mel de caju na merenda escolar. “Temos ainda projetos apresentados pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) e pela Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA), que contemplam a cajucultura e que também não saíram do papel”, pontuou, complementando que a cajucultura é uma “commodity” que movimenta por volta de R$ 60 bilhões por ano e que o Ceará tem potencial de ter pelo menos 10% dessa riqueza.

Representantes do setor de cajucultura participaram da audiência

O representante do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), José Aires, comentou que a instituição desenvolve projetos específicos para o setor da cajucultura, desenvolvidos nas regiões do Litoral Leste e de Acaraú. “Neste ano de 2025, chegamos a R$ 140 milhões financiados no BNB para a cajucultura, além de outros recursos para projetos diversificados, que também acabam incluindo esse segmento”, apontou.

Ele reforçou que o BNB está disposto a apoiar cada vez mais essa atividade, enfatizando que projetos inovadores e com tecnologia são sempre bem-vindos. “Somos favoráveis ao que vier para melhorar a rentabilidade desse segmento e a vida desses produtores”, assinalou.

Participaram ainda da audiência pública o fundador do Instituto Caju Brasil, Rodrigo Diógenes; o chefe-adjunto do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa Brasileira de Pesquisa (Embrapa), José Roberto Vieira; a representante do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Regina Lúcia Feitosa; entre outras autoridades.     

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