A agricultura do Oeste da Bahia (foto) é a mais desenvolvida e a mais moderna do país, produzindo grãos e fibras
Empresários baianos, na ausência da distribuidora, investem na geração de energia solar. Aqui, governo e fazendeiros pressionam a Enel a acelerar a melhoria da rede elétrica
Acreditem, poque é verdade! No Oeste da Bahia, a nova e crescente fronteira agrícola brasileira, é a iniciativa privada que, com recursos próprios, está a investir na implantação de parques de geração de energia solar fotovoltaica para garantir a irrigação de milhares de hectares que produzem, para os mercados interno e externo, grãos e fibras (soja, milho e algodão, mais destacadamente).
Grandes e médias empresas constroem lá seus próprios parques de geração híbrida (há, também, mini termelétricas movidas a óleo diesel), e tudo isto está sendo executado em alta velocidade porque, simplesmente, a distribuidora de energia que atua na região não tem condições de fazer o que lhe cabe, ou seja, oferecer e assegurar energia elétrica a consumidores pessoas físicas e jurídicas, nas cidades e na zona rural do Oeste da Bahia. E o governo federal tem ciência disto. É vero.
Essa energia renovável gerada pelos raios solares no Oeste baiano e armazenada em baterias especiais importadas garantirá a operação de pivôs centrais que alcançam área de até 1.730 hectares (só em uma fazenda há 12 pivôs centrais desse tamanho) e, ainda, de 29 poços profundos (cada um jorrando 200 m³ por hora) de onde sai a água para a irrigação das gigantescas áreas cultivadas.
Resumindo: na Bahia, cuja produção agrícola explode na velocidade do frevo e em progressão quase geométrica, é o esforço do setor privado que corre contra o tempo e contra a ineficiência do Ministério de Minas e Energia (MME), o mesmo que promoveu, em março passado, o leilão de reserva de capacidade, cujo resultado insultou e segue insultando a inteligência do consumidor brasileiro, que pagará uma conta bilionária pela geração de energias sujas, poluentes, de origem fóssil, em detrimento das energias renováveis. Parece haver um conluio do MME com alguns grupos empresariais privilegiados, do que resulta grave e largo prejuízo para pessoas físicas e jurídicas que consomem energia neste país de ventos fortes e de sol mais forte ainda.
Aqui no Ceará, empresas da agropecuária, tentando e conseguindo livrar-se do monopólio da única distribuidora de energia no estado, também investem na geração própria, principalmente a solar fotovoltaica.
Esta coluna pode informar que no Ceará, hoje, há várias granjas avícolas utilizando-se de energia solar para a movimentação de suas máquinas e equipamentos.
Na avicultura cearense, graças aos investimentos das empresas privadas, a energia elétrica já foi um grande gargalo, mas hoje não é mais, exatamente porque várias delas, principalmente as de maior porte, instalaram parques de geração própria da fonte solar fotovoltaica. Com isto, suplementaram a oferta de energia da Enel, reduziram sua conta de luz e garantiram o bom funcionamento de suas instalações, incluindo as industriais que abatem e fazem os cortes das carnes de frango.
Uma empresa que produz coco verde no Litoral Norte do Ceará também investiu na perfuração de um poço e na instalação de um pequeno parque de geração solar fotovoltaica para irrigação do seu coqueiral, com excelentes resultados.
A propósito: o Banco do Nordeste (BNB) tem uma linha de crédito, o FNE-Sol, exclusivamente criada para o financiamento de projetos de geração de energia solar fotovoltaica e eólica onshore (em terra firme). A juros muito mais baixos do que os do mercado, esse financiamento está à disposição dos agropecuaristas nordestinos, os cearenses no meio, como informa a superintendente do BNB no Ceará, Eliane Brasil.
A economia cearense vem crescendo em bom ritmo, mas esse crescimento ainda é lento, e um dos motivos são os problemas causados pela tensão intermitente da rede elétrica. Dessa intermitência ressentem-se os empresários que estão a tocar projetos de produção de soja e algodão na Chapada do Apodi, onde, porém, a Enel executa obras de melhoria de sua rede, com alto investimento, como disse à coluna seu presidente, José Nunes.
O secretário de Desenvolvimento Econômico do governo do Estado, Fábio Feijó, comprometeu-se com os empresários do agro a ajudá-los nas tratativas com a Enel, em busca de uma solução que acelere os serviços hoje em andamento

