Luiz Roberto Barcelos falou sobre a agricultura do Ceará e do Brasil para os “Amigos em Ação”, na Alessandro Belchior Imóveis
Luiz Roberto Barcelos, fundador da Agrícola Famosa e consultor empresarial no agronegócio, considera o Ceará a terra da oportunidade
Fundador da Agrícola Famosa, uma das duas maiores produtoras e exportadoras mundiais de melão e melancia (a outra é a Itaueira Agropecuária), fundador e diretor institucional da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas (Abrafrutas) e presidente da Câmara Setorial da Fruticultura do Ministério da Agricultura, Luiz Roberto Barcelos, que hoje presta consultoria empresarial no agronegócio, falou ontem durante uma hora para os “Amigos em Ação”, um conjunto de empresários cearenses que, sob a coordenação da Alessandro Belchior Imóveis e ao longo de cada ano, fazem campanha de arrecadação de alimentos, distribuídos no Natal a entidades beneficentes que cuidam de idosos e crianças.
Durante sua fala, ouvida com muita atenção, Barcelos despejou uma torrente de informações muito interessantes, algumas delas estão a seguir:
Hoje, na agricultura do mundo, inclusive na do Brasil, um só agricultor produz alimentos para 180 pessoas. Nos próximos 20 anos, a população do planeta saltará dos atuais 8,5 bilhões para 10 bilhões de habitantes, ou 10 bilhões de bocas que precisarão de ser alimentadas.
“Nenhum outro país, mas só o Brasil, tem condição de ampliar a oferta de alimentos, pois dispõe de área e de tecnologia capazes de fazer mais com menos água e menos terra, o que significa dizer que nossa produtividade é a maior e melhor do mundo”, disse Luiz Roberto Barcelos.
Ele informou que, hoje, no Brasil, a área agrícola cultivada é de 8 milhões de hectares, podendo facilmente chegar aos 50 milhões de hectares, se isto for necessário, sem causar qualquer dano ao meio ambiente.
“Nosso agro é sustentável e por isto mesmo lidera quase todos os setores da produção mundial, incluindo o da proteína animal, o da produção de grãos (soja e milho) e de fibras (algodão) e o da hortifruticultura. Somos o maior produtor e exportador de melão do mundo, e temos um gigantesco mercado interno que consome 80% de todas as frutas e 100% das hortaliças que produzimos. Do que sobra, 80% vão para a Europa”, ele revelou.
Segundo Barcelos, as tarifas impostas ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revistas nos últimos dias, fizeram, no início, um grande estrago na produção de mangas do Nordeste, principalmente no polo Juazeiro-Petrolina, mas agora a situação volta à normalidade, principalmente com a nova tarifa de 15%. Mas é preciso atentar – lembrou ele – que as frutas brasileiras são, há bastante tempo, taxadas em 18% pelo governo norte-americano.
“Assim, a fruta brasileira está agora pagando, para entrar nos EUA, a taxa antiga de 18% e mais a nova de 15%. Porém, o maior consumidor da manga brasileira é a Europa, que cobra uma taxa bem inferior à dos EUA e para cujo mercado vão 80% da nossa produção”, disse Luiz Roberto Barcelos.
Depois de contar como saiu do interior de São Paulo e veio para o Nordeste para plantar melão e melancia em Icapuí, no Ceará, e Mossoró, no Rio Grande do Norte, tornando sua empresa o portento que é hoje, Barcelos narrou a história de sua vida pessoal, arrancando lágrimas de alguns dos que o ouviam.
Ele perdeu uma de suas jovens filhas, vítima de câncer, e, desde esse triste momento, “guiado pelo Espírito Santo”, passou, também, a cuidar da evangelização dos jovens, para o que fundou, com sua mulher Marta, uma comunidade católica sediada em Fortaleza, a qual presta, igualmente, serviços sociais.
“Minha vida hoje é mais de missionário, reunindo a juventude e propagando para eles o Evangelho de Jesus Cristo”, afirmou.
Um dos que o ouviram perguntou como se desenvolve hoje a sua múltipla atividade institucional, e ele respondeu:
“É um permanente desafio, pois tenho de lidar com as diferentes áreas do governo da União e dos estados. Em Brasília, mantenho-me atento a tudo, pois lá todo mundo só olha para o seu próprio umbigo, para os seus próprios interesses; o interesse público é marginal.”
E disse que o agro brasileiro, locomotiva da economia nacional, é vítima de preconceitos, principalmente “junto ao pessoal ligado ao meio ambiente”. E elogiou o governador Elmano de Freitas, que cumpriu o que prometera: apresentou ao Legislativo, que o aprovou, um projeto de lei permitindo a pulverização área, por meio de drones, nas lavouras do estado, uma providência correta, tanto do ponto de vista tecnológico, quanto do ponto de vista ambiental”.
Mas salientou que o agro, assim como a indústria e as demais atividades econômicas, enfrenta o desafio dos juros altos, e tudo isto dificulta a produção da agricultura. Sobre o Ceará, ode reside há 40 anos, ele resumiu:
“O Ceará é a China de 30 anos atrás. É a terra da oportunidade, e há muita gente, daqui e chegando de fora, investindo na sua agricultura, que avança, ganhando o respeito e a admiração dos cearenses”.
Entre os “Amigos em Ação” que se reuniram ontem com Luiz Roberto Barcelos estiveram os ex-prefeitos de Fortaleza Antônio Cambraia e Luiz Marques e os sócios e diretores da Alessandro Belchior Imóveis, Germano pai e filho, Alessandro e João Pedro.

