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CARCINICULTURA

Ceará apresenta estudo inédito de georreferenciamento da carcinicultura na PEC Brasil 2026

A Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará (SDE) levou para a PEC Brasil 2026 uma ferramenta que promete transformar o planejamento estratégico do agronegócio no estado: um estudo inédito de georreferenciamento voltado para a carcinicultura (criação de camarão). Apresentado pelo técnico da SDE, Pedro Lopes, ao lado do secretário executivo do Agronegócio, Silvio Carlos, o levantamento subsidia uma antiga demanda do setor por dados estatísticos precisos.

O secretário Silvio Carlos enfatizou a liderança absoluta e o impacto social do setor no estado, destacando que mais de 50% do camarão consumido no Brasil tem origem cearense — ou seja, de cada dois camarões consumidos no país, um vem do Ceará. “Esse número cresce a cada ano, por isso é fundamental entender o que está acontecendo no setor. É a atividade agropecuária que gera mais renda por hectare, transformando o sertão do Ceará. Onde antes havia água salobra e não se produzia nada, hoje temos uma região produtora, gerando emprego, renda e desenvolvimento econômico”, pontuou o secretário.

O titular da SDE, Fábio Feijó, ressaltou a relevância estratégica da iniciativa para a cadeia produtiva e para todo o território cearense. Feijó afirmou que o projeto reflete diretamente as políticas públicas do governador Elmano de Freitas, cujo foco central é o apoio contínuo ao agronegócio — um motor econômico crucial que gera milhares de empregos, renda e novas oportunidades de desenvolvimento para o Ceará.

Até então, o Governo do Estado e os produtores dependiam de bases de dados com margens divergentes, como os cruzamentos entre o IBGE e associações privadas. Iniciado em fevereiro de 2024, o novo mapeamento surge com o objetivo de fundamentar uma política pública para a criação de um censo permanente (anual ou bianual) da atividade no Ceará.

Tecnologia de satélite a serviço do campo

O monitoramento de alta precisão foi viabilizado por meio de uma cooperação técnica com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Manuel Rodrigues, gerente da área de Meio Ambiente da fundação, explicou os bastidores do desenvolvimento da ferramenta: “A Funceme atua em diversas frentes e, na área ambiental, realiza o monitoramento anual das áreas ocupadas com aquicultura por meio de imagens de satélite e técnicas avançadas de geoprocessamento. A altíssima qualidade e precisão desses dados despertaram o interesse da SDE para utilizá-los em suas ações de planejamento. O estudo mostra com clareza a dinâmica, a expansão e a distribuição espacial das áreas, tornando-se um insumo valioso para as cadeias produtivas”, pontuou Manuel.

Mesmo em fase de finalização, os números impressionam e dão a real dimensão do peso do camarão na economia cearense. O monitoramento já identificou 2.500 empresas e produtores catalogados (com projeção de ultrapassar 3.000 até a conclusão), somando 16.900 hectares de lâmina de espelho d’água em atividade e quase 23.000 hectares de área total ocupada. O grande diferencial é o cruzamento dessas coordenadas com as bacias hidrográficas, permitindo a gestão e o uso eficiente da água.

Fiscalização sanitária e apoio ao pequeno produtor

Presente no evento, o presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Ceará (Adagri), Elmo Aguiar, também celebrou a parceria e destacou que o mapeamento será decisivo para as ações de defesa sanitária animal e vegetal. Para ele, o volume expressivo da produção cearense exige uma união de esforços na certificação.

“A nossa missão é cuidar da sanidade, o que é essencial neste momento em que o Ceará detém metade da produção de camarão do Brasil. Todos os órgãos reguladores precisam estender a mão a quem produz, garantindo oportunidades de certificação e a criação de entrepostos. Já alinhamos uma reunião imediata entre os técnicos da SDE e a equipe de inspeção da Adagri para traçarmos um caminho que desburocratize a vida do pequeno produtor, ajudando no cadastro e estruturando locais adequados de inspeção sanitária para que o camarão chegue seguro à mesa do consumidor”, declarou Elmo Aguiar.

Business Intelligence (BI)

O estudo não ficará restrito aos gabinetes governamentais. A SDE desenvolveu uma plataforma de Business Intelligence (BI) integrada, composta por 11 painéis (dashboards) dinâmicos, atualizados diariamente e disponíveis para consulta pública no site da secretaria.
“Esse BI abre infinitas possibilidades. O empresário de insumos ou de beneficiamento pode olhar o mapa e descobrir onde estão os maiores conglomerados para instalar sua fábrica. O produtor descobre onde há gargalos logísticos ou áreas livres e seguras para expandir. E o Estado ganha precisão para gerenciar a água e planejar a infraestrutura rodoviária e industrial”, explicou o técnico Pedro Lopes durante a apresentação.

Com a cobertura planejada para os 184 municípios cearenses, a SDE consolida na PEC Brasil 2026 o papel da tecnologia, da cooperação interinstitucional e do Big Data como pilares para atrair novos investimentos, garantindo segurança jurídica, eficiência ambiental e sustentabilidade para o ecossistema da aquicultura no Ceará.

Saiba mais

A PEC Nordeste 2026 se consolidou como PEC Brasil devido à sua expansão e repercussão nacional. O evento aconteceu entre os dias 25 e 27 de junho de 2026, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza. O objetivo central da feira visou impulsionar a economia rural, trazer as principais inovações tecnológicas do mercado, promover a capacitação de produtores e discutir os rumos da produção agropecuária no país, gerando um ambiente de negócios e network para toda a cadeia produtiva.

A SDE e suas vinculadas tiveram participação de destaque ao longo dos três dias de programação. A presença institucional do Governo do Estado foi dividida em dois grandes espaços estratégicos, contemplando stands institucionais para atendimento ao público.

O evento contou uma forte corrente de solidariedade voluntária: pela primeira vez, a SDE fechou parceria com a Secretaria de Proteção Animal (Sepa), que promoveu campanhas de arrecadação de ração, além de oferecer serviços de vacinação e doação de coleiras.

O programa Ceará sem Fome, coordenado pela primeira-dama Lia de Freitas, também foi presente com equipes mobilizadas para recolher doações de alimentos não perecíveis destinados às famílias cadastradas no programa que vivem em situação de vulnerabilidade social.

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