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Pecuária do Ceará cresce, agora com ajuda da ciência

Em ritmo de frevo, a pecuária cearense, a de pequeno e de grande portes, cresce e agora ganha o apoio mais efetivo da ciência

Nasce em Maranguape o Centro de Formação Agropecuária; em Boa Viagem, o IFCE desenvolve o Leite do Futuro, plataforma científica e tecnológica

Nos últimos dias, abordado o avanço da pecuária bovina cearense de leite e de corte, o que fez sair do esconderijo nomes importantes da ciência médica veterinária e da zootecnia, os quais, discreta e silenciosamente, vêm contribuindo para o desenvolvimento do setor. Há boas notícias chegando a respeito, a primeira das quais é esta: em Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, em um terreno localizado bem próximo ao posto da Polícia Rodoviária Federal (talvez com o propósito mesmo de garantir uma boa segurança para o equipamento), está sendo implantado, por iniciativa do médico veterinário Kolowyskys Dantas, cuja expertise é requisitada pelas maiores empresas do agro do Ceará, o Centro de Formação Agropecuária (CFA), que entre outras coisas, terá salas de aula para 35 alunos e laboratórios para cursos de inseminação artificial. Ele transmite à coluna a seguinte informação:

“Nós temos hoje, no Ceará, mais de 20 faculdades com cursos de medicina veterinária, e são exatamente os alunos dessas unidades de ensino superior que estarão no alvo do nosso CFA”. 

Kolowyskiys é hoje presidente da Associação Brasileira de Buiatria, especialidade da medicina veterinária que cuida da saúde, da clínica, da cirurgia e da produção de ruminantes, como bois, ovinos, caprinos e búfalos. No ano passado, ele coordenou em Fortaleza o que foi o maior congresso brasileiro de profissionais da buiatria. 

Entusiasmado com o rápido e crescente avanço da pecuária do Ceará – “o que se deve à força e ao prestígio que o agro ganhou nos últimos anos, depois de muitos investimentos na tecnologia do melhoramento genético do rebanho, o que foi possível graças à decisão dos grandes pecuaristas de se apropriarem dos novos conhecimentos, para o que contaram e contam com boas e competentes consultorias” – Kolowyskys transmite outra informação que tem a ver com o que se passa hoje na pecuária cearense: 

Ele está prestando assessoria técnica e científica à área de pecuária do projeto do empresário Gentil Linhares, que começou a construção de uma usina de lacticínios em sua fazenda Gentilândia, em Quixadá, parte de cujo rebanho leiteiro, de alta linhagem, acaba de adquirir do seu colega agropecuarista Cristiano Maia.  

“Conheço a qualidade genética do rebanho leiteiro de Girolando do Cristiano Maia, e posso dizer que Gentil Linhares fez uma correta aquisição”, disse Kolowyskys Dantas, assegurando: o projeto de pecuária leiteira e de beneficiamento industrial da Fazenda Gentilândia será para produtos nobres, principalmente queijos finos, de alto valor agregado, com 100% de chance de sucesso, não só pelos modernos equipamentos a serem instalados, mas, também, pela qualidade da consultoria contratada, especializada em lácteos de alto padrão.

Esta coluna mantém a expectativa de que, a partir de fevereiro do próximo ano, quando a Gentilândia começará a oferecer seus produtos ao mercado consumidor, haverá uma boa e interessante concorrência na área de lacticínios. Será animado acompanhar essa competição. 

Mas há outra boa novidade procedente da pecuária cearense. Ela tem nome: Leite do Futuro. Trata-se de uma plataforma que conecta ao um só tempo produtores, técnicos e gestores de fazendas de todos os tamanhos, promovendo monitoramento, rastreabilidade e a tomada de decisão com base em dados reais, como diz o site do programa. O programa está abrigado no campus do IFCE em Boa Viagem, no Sertão Central cearense. 

“Atualmente atendemos cerca de 500 produtores de leite, rastreamos sua qualidade e gerenciamos mais de 100 tanques de resfriamento de leite. Há um impacto imediato e direto na melhoria da qualidade do leite, bem como no agregado de valor de um produto que é tão importante para o PIB do estado. Além disso, temos a identificação dessas vacas ‘especiais’ (A2A2) que produzem esse leite especial para quem não pode tomar leite por conta de alergias”, como explica o professor João Paulo do Rego, zootecnista e doutor em reprodução animal do IFCE e responsável pelo programa. (Vaca A2A2 é um animal selecionado pela genética que produz leite contendo exclusivamente a proteína beta-caseína do tipo A2). 

Qual o objetivo do Leite do Futuro? Responde o professor João Paulo Rego:

“Agregar valor ao leite, transformando-o em política pública, inserindo-o em creches, hospitais e escolas. Boa Viagem, com o Leite do Futuro, é o primeiro município do Brasil a genotipar matrizes para leite o leite A2 de pequenos produtores. Nosso programa já está implantado em Senador Pompeu, Madalena e Boa Viagem. 

(Genotipar é o conjunto de todos os genes e a composição genética que um organismo herda de seus pais). 

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