Os queijos premium produzidos no Ceará têm qualidade semelhante à dos seus concorrentes europeus. Falta-lhes melhor divulgação.
Liderada pelo Sindlacticínios, vem aí uma campanha de divulgação dos produtos feitos pela indústria e o agro do Ceará
Vem aí uma campanha de promoção do que o Ceará e os cearenses produzimos. E não é pouca coisa, principalmente na sensível área dos alimentos. O esforço promocional que está chegando terá foco nos produtos da indústria de lacticínios, um setor que, tendo investido maciçamente, nos últimos 10 anos, na importação de tecnologia e na inovação, alcançou padrões de qualidade semelhantes aos dos seus poderosos concorrentes europeus. Ontem, esta coluna pode observar uma lista dos queijos que aqui são produzidos, e o são com leite de bovinos, bubalinos e caprinos de muito boa genética. E neste particular, a Fazenda Laguna, de Paracuru, fundada pelo grande agropecuarista Nelson Prado, que prematuramente nos deixou quarta-feira, 19, é um caso de sucesso.
À testa da iniciativa de promover os lácteos produzidos no Ceará junto ao público consumidor local está o presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios, José Antunes Mota, assumidamente amigo e defensor dos laticinistas, a ponto de empenhar-se no trabalho de evitar que as redes supermercadistas comercializem lácteos de duvidosa procedência e com embalagens enganosas, o que conduz o desavisado consumidor a comprar gato por lebre. Há requeijões que são tudo, menos requeijão. Há queijo muçarela de baixa qualidade que entram no mercado de Fortaleza, burlando a vigilância sanitária, e isto é ruim para a saúde pública.
Antunes Mota disse à coluna que sua ideia é a mesma dos seus colegas presidentes de sindicatos da indústria de alimentos, que marcham no rumo do ponto de convergência: estimular o comércio varejista, especialmente os supermercados, a não apenas privilegiar os produtos cearenses, mas dar-lhes destaque nas gôndolas de suas lojas, com sinalização e informação do tipo “estes são queijos cearenses”, “estes são biscoitos e bolachas feitos no Ceará”, “esta água de coco, este melão, esta melancia, esta banana, esta carne de porco, este frango, este ovo, este camarão, esta tilápia, esta carne de carneiro, este sorvete são genuinamente cearenses”. Com certeza, um apelo assim tocará não só o coração e a sensibilidade, mas também o acendrado orgulho bairrista da nossa gente
Mas uma campanha assim tem gargalos a serem superados, um dos quais é a disposição do vendedor (o supermercado) de concordar com a ideia do fornecedor (o industrial ou o agroindustrial) e abrir espaços especiais para a exibição dos produtos “made in Ceará”. No passado não muito distante, houve tentativas neste sentido, mas, por razões que a própria razão desconhece, inviabilizaram-se.
Honório Pinheiro, sócio e fundador da rede Pinheiro Supermercados, e Severino Ramalho Neto, sócio majoritário da rede Mercadinhos São Luiz, são favoráveis à ideia e a consideram absolutamente viável. E mais viabilidade ela será, se o comando da Secretaria da Fazenda (Sefaz) concordar com um pleito que lhe será apresentado, nos próximos dias, pelos líderes da indústria de lacticínios, no sentido que o Fisco crie um tipo de incentivo tributário temporário, enquanto durar a promoção, para os produtos que estarão, digamos assim, nas gôndolas da cearensidade.
Esta coluna é absolutamente leiga neste tema, mas acha que a temporalidade do benefício pode viabilizá-lo, uma vez que, tendo se acostumado a consumir os lácteos, as frutas, as verduras, os biscoitos, as bolachas, as massas, os camarões, as tilápias e as carnes cearenses, o fornecedor e o vendedor não necessitarão mais de qualquer incentivo depois de passada a promoção: evidentemente, o que dela restará será o incremento das vendas do que a indústria e o agro do Ceará produzem para a saúde do cearense.
Para os que ainda não sabem: Tijuca Alimentos, Regina, Sabor & Vida, Cambi, Fazenda Laguna, Alvoar, para citar algumas, produzem lácteos, incluindo queijos e iogurte, de padrão internacional. O provolone curado, o brie, o gouda, o parmesão, o de cabra, o camembert, o gorgonzola e o coalho branco e com pouco sal produzidos pelas referenciadas indústrias de lacticínios do Ceará são queijos que fazem parte hoje do café da manhã do cearense, tão bom é o seu sabor e a sua qualidade. E este quadro poderá melhorar e ser ainda mais ampliado se vingar a campanha que o Sindilacticínios do Ceará pretende empreender com o apoio da rede varejista e o estímulo da Sefaz.
É a indústria e o agro do Ceará, de mãos dadas, em pleno movimento.

