Em Limoeiro do Norte, localizam-se as melhores fazendas da pecuária cearense. Lá a produtividade alcança altos índices.
O Ceara já produz volumosos, inclusive feno, para alimentar seu rebanho bovino de leite e corte
Inexistem dúvidas quanto ao futuro próximo e promissor de uma nova área da atividade econômica do Ceará: a pecuária de corte, e esta perspectiva vem mexendo e estimulando pequenos, médios e grandes empresários do agro, que decidiram investir na aquisição de bois de alto padrão genético. Com que objetivo? Resposta: criar, de agora até 2028, um rebanho capaz de atender à futura demanda do Grupo Masterboi, que implantará em Iguatu, no Centro Sul, um grande e moderno frigorífico, cuja produção nos aliviará dos altos preços dos cortes de carne dos três grandes frigoríficos nacionais, que parecem agir em forma de cartel. Cristiano Maia, que cria boi e vaca em suas fazendas na região do Jaguaribe, já anunciou que está investindo na compra de gado de corte, e isto já é uma grande e muito boa novidade.
Mas não adianta apenas comprar grades rebanhos bovinos de corte, pois será necessário alimentá-los, farta e corretamente e a preço justo. E quem faz esta advertência é alguém que entende do assunto e, por isto mesmo, pode dar conselhos aos que correm na direção da bovinocultura corte: David Girão, sócio e diretor da Fazenda Flor da Serra, onde, com o seu pai Luiz Girão, fundador da Betânia Lácteos (hoje Alvoar, uma das gigantes do mercado brasileiro de lacticínios), produz volumosos, incluindo feno de alta qualidade.
David Girão diz:
“Não acredito em pecuária de leite e em pecuária de corte competitivas no Ceará sem volumosos de qualidade (feno ou silagem de milho). Vaca boa precisa de comida boa, assim como o boi de corte. Eles não sobrevivem só comendo grão, como galinha. Assim, precisamos atentar para esse ponto, que é importante.”
E põe importância nisso.
Como a Flor da Serra tem foco na pecuária leiteira, seu esforço está concentrado na produção e na comercialização de volumosos (capim, sorgo, milho, palma forrageira) destinados à alimentação das vacas e bezerras do Ceará e de outros estados nordestinos, como Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte e Piauí. A Flor da Serra produz feno em uma boa área do Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas, no Vale do Jaguaribe. A produção desse feno mantém-se em viés de alta porque a pecuária leiteira cearense segue em aclive graças aos investimentos dos pequenos pecuaristas, para os quais é importante a melhoria do padrão genético dos seus rebanhos, e é o que eles vêm fazendo.
Mas não é somente a Flor da Serra que produz e comercializa feno; uma grande fazenda de pecuária, a Vale do Castanhão, do pecuarista Rafael Carneiro, localizada em Limoeiro do Norte, faz o mesmo com excelentes resultados – sua produção já ultrapassou os 12 mil litros de leite/dia, com média de 45 litros por vaca/dia, e isto se deve à melhoria da alimentação do rebanho, que de alta linhagem.
Bruno Girão – filho de Luiz, irmão de David e CEO da Alvoar – informa que sua empresa monitora o custo de produção de 400 fazendas em Minas Gerais, onde desenvolve o programa Educampo, idealizado pelo Sebrae. O programa promove o confinamento de vacas holandesas (free stall ou compost bar), e os que aderiram a ele estão tendo retorno de 20% a 30% ao ano sobre o capital investido e crescendo em média 8% ao ano, produzindo leite de alta qualidade, com alto teor de sólidos e baixíssima contagem de células somáticas.
Por trás desses números, todavia, está o “know-how” aplicado na agricultura para produzir comida boa para o gado leiteiro e de corte. Assim como acontece em Minas Gerais, já se veem, no Ceará, fazendas faturando R$ 120 mil por hectare com a produção de volumosos. É produtividade semelhante à das fazendas californianas e holandesas.
“Quem quiser ver esse modelo bem aplicado no Ceará deve visitar a fazenda São José, do pecuarista Dermival Fernandes”, em Limoeiro do Norte, como sugerem os Girão. Mas eles mesmos mandam um aviso:
“Esse é um modelo mega intensivo, cuja operação, para ter êxito, requer muito capital e muita competência. E não adianta fazê-lo onde não há irrigação ou chuva regular.”
QUEM SÃO OS MAIORES PRODUTORES DE LEITE DO CEARÁ?
Esta pergunta foi feita pela coluna ao agropecuarista David Girão, que é sócio e executivo da Flor da Serra, uma fazenda de pecuária bovina localizada na Chapada do Apodi, em Limoeiro do Norte, e cujo sócio majoritário é o seu pai, Luiz, Girão.
Pois bem: David Girão respondeu com as seguintes informações:
O maior produtor de leite do Ceara, hoje, é Dermival Fernandes, cuja fazenda se localiza em Limoeiro do Norte e cuja produção é estimada em 30 mil litros de leite/dia; o segundo é a Tijuca Alimentos, com produção de cerca de 26 mil litros/dia; o terceiro é a Cialne, com produção estimada em 20 mil litros/dia; o quarto é Luiz Girão (Fazenda Flor da Serra), com 16 mil litros/dia; em quinto, Rafael Carneiro, cuja Fazenda Vale do Castanhão, está, também, em Limoeiro do Norte, que tem produção estimada em 12 mil litros diários; em sexto, Glauco Heleno, com produção de 10 mil litros/dia.
INDÚSTRIA DE LACTICÍNIOS DE GENTIL LINHARES SAI DO CHÃO
Foram iniciadas as obras de construção da indústria de lacticínios que o agropecuarista Gentil Linhares implantará em sua Fazenda Gentilândia, na geografia rural do município de Quixadá. Ele disse à coluna que, até fevereiro do próximo ano, sua unidade industrial de lácteos estará em operação.
Gentil transmitiu, ainda, duas outras informações: 1) na sexta-feira da semana passada, comprou do seu colega Cristiano Maia algumas dezenas de vacas leiteiras da raça Girolando, que permanecerão por mais algum tempo engordando nas fazendas do vendedor na região do Jaguaribe; 2) duas consultorias especializadas estão definindo que tipos de queijos a Gentilândia produzirá, “mas serão queijos muito especiais”, desses consumidos pela faixa de maior renda do Ceará e, principalmente, dos estados mais ricos.
Embora pressionado pela coluna, Gentil não revelou o tamanho do seu novo investimento (ele cria camarão e tilápias no Ceará e produz soja e eucalipto no Maranhão

