Uma abelha polinizando uma flor. Sem abelha, não existiria, por exemplo, a fruticultura do melão e da melancia
O professor Breno Magalhães Freitas entrou pelo terceiro ano consecutivo na lista da Stamford University, da Califórnia (EUA)
Acredite, que é vero: o professor Breno Magalhães Freitas, da Universidade Federal do Ceará, foi novamente listado entre os 2% dos cientistas mais citados do mundo na sua área de atuação pela Stanford University, da Califórnia (EUA) e pela Elsevier, uma das maiores empresas globais de análise de informações e publicação de conteúdo científico, técnico e médico. É a terceira vez consecutiva que ele participa dessa lista – 2024, 2025 e 2026.
Além disso, o professor e pesquisador integra os conselhos e comissão dos três maiores organismos mundiais que tratam das abelhas: membro do conselho do IBRA (International Bee Research Association), ICPPR (International Comission on Plant-Pollinators Relationship) e membro da Comissão Pollination and Bee Flora da Apimondia.
Por que sua preferência pelas abelhas? – quis saber a coluna. A seguir, a resposta do professor Breno Freitas, que é professor titular da UFC, aposentado recentemente, mas ainda vinculado a ela pelo Propap (Programa de Professor Aposentado), seguindo como professor da pós-graduação, com sala, laboratórios, projetos de pesquisa e alunos de pós-graduação:
“As abelhas são os polinizadores mais importantes do planeta, sendo diretamente responsáveis pela reprodução de cerca de 85% das plantas com flores na natureza e por 70% a 75% das culturas agrícolas que alimentam a humanidade. A existência desses insetos garante a segurança alimentar global, a sobrevivência da fauna e a conservação da biodiversidade. Sem o trabalho das abelhas, a nossa alimentação seria drasticamente reduzida e monótona.”
Ele pormenoriza:
“Variedade na mesa: elas são essenciais para a produção de frutas, legumes e sementes, como maçãs, laranjas, tomates, melões, melancias, maracujá e café. Sem elas, os frutos nascem menores, menos doces ou simplesmente não se desenvolvem;
“Bilhões de dólares no campo: a polinização realizada pelas abelhas injeta mais de US$ 200 bilhões por ano na economia agrícola global, representando cerca de 10% do PIB agrícola mundial;
“Equilíbrio dos Ecossistemas (Biodiversidade): as abelhas não alimentam apenas os seres humanos. Ao polinizar a flora nativa, elas garantem a multiplicação de árvores e arbustos que servem de abrigo e produzem frutos e sementes para aves e mamíferos. O desaparecimento das abelhas provocaria um efeito dominó, levando à escassez de vegetação e, consequentemente, à extinção de outros animais;
“Geração de Renda e Produtos Naturais – Além do serviço ambiental invisível, a apicultura e a meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) movimentam economias locais por meio da extração de matérias-primas ricas para a saúde e a indústria, como:
“Mel – Alimento nutritivo e adoçante natural; própolis e geoprópolis: substâncias com potentes propriedades farmacológicas e antibacterianas; Cera e Geleia Real: utilizadas tanto na indústria cosmética quanto na medicina.”
Mas a presença e a benéfica ação das abelhas vão muito além das pesquisas acadêmicas. Na agricultura brasileira — a nordestina no meio de modo destacado – elas são protagonistas, principalmente na fruticultura e na floricultura. Os empresários Tom Prado, CEO da Itaueira Agropecuária, e Luiz Roberto Barcelos, fundador da Agrícola Famosa, que são as duas maiores produtoras e exportadores mundiais de melão e melancia, resumem assim a importância das abelhas no seu negócio
“Sem abelhas não há nem haverá melão ou melancia”.
Têm razão.
Há pouco mais de um mês, este colunista visitou a fazenda da Itaueira que produz, no distrito de São João do Aruaru, melão e melancia em 1.500 dos 3 mil hectares de sua área. E viu cerca de 3 mil colmeias, espalhadas por diferentes locais da fazenda. Elas têm duas exclusivas funções: garantir a polinização das plantas do melão e da melancia e, ainda, produzir o mel que é recolhido, embalado e comercializado, com a marca Rei, nas redes de supermercados nordestinas e sudestinas.

