O Nelore Myo (foto) chegou ao Ceará pela região do Cariri, vindo de Goiás, onde tudo começou. A Faec vai expor a raça na Expocariri
Airton Carneiro, que produz leite bovino no Sertão Central, anuncia que criará gado nelore para corte. “E mais rentável”, ele diz
Repercutiu rápida e largamente o que esta coluna publicou em sua edição de ontem a respeito da revolução que se processa em ritmo de frevo na pecuária cearense, consequência do anúncio de que vem aí o frigorífico que o grupo Masterboi construirá em Iguatu e cuja operação começará em 2008, com o abate diário de 1 mil bovinos. O empresário Airton Carneiro, um dos melhores agropecuaristas do Ceará, transmitiu à coluna a seguinte mensagem:
“Já vou começar um programa de plantio de pastagem para criar Nelore para corte. É muito mais rentável do que manter rebanho leiteiro, mesmo porque os custos deste são muito mais elevados, incluindo os de pessoal. Na pecuária de corte, esses custos são mínimos em relação aos do rebanho leiteiro”.
Airton Carneiro, além de produzir leite bovino, também planta e colhe algodão, em regime de sequeiro (dependente da água da chuva) em suas fazendas Itaguaçu, de 1.500 hectares, em Quixadá, e Descanso, de 700 hectares, em Quixeramobim, em pleno semiárido cearense. Seus colegas do agro o admiram pela sua coragem e ousadia, pois ele desafia a natureza, obtendo sucesso total nos anos de boa pluviometria e experimentando algum prejuízo quando falta a chuva para molhar o seu cultivo.
Os empresários do agro já fizeram as contas e concluíram que a pecuária de corte, “tendo quem compre”, como argumentou Airton Carneiro, é uma excelente opção de negócio, e tanto é verdade que nela estão entrando, aceleradamente, pequenos criadores de boi da região do Cariri, onde as raças Nelore e Sindi parecem atrair a atenção dos que entendem de boi.
Em Brejo Santo, um médio empresário da pecuária, está comprando Nelore, confinando-o, engordando-o e, em seguida, vendendo-o para o grupo Masterboi, que tem um grande frigorífico localizado no município pernambucano de Canhotinho. Esse pecuarista, que prefere o anonimato, é visto hoje na região do Cariri como um modelo a ser seguido. Pelo andar da carruagem, é esse modelo que copiará Airton Carneiro em suas duas fazendas cearenses.
“Vamos comprar bezerro Nelore em idade infantil, vamos criá-lo até alcançar o peso de 30 arrobas, e aí o enviaremos para o confinamento”, revelou Airton Carneiro, sinalizando que o agro do Ceará está mesmo atravessando uma revolução na sua pecuária de corte, tudo, é bom deixar claro, motivado pelo anúncio da construção do frigorífico do Masterboi em Iguatu.
Pecuaristas de diversas regiões do Ceará são unânimes ao afirmar que a chegada do frigorífico Masterboi vai transformar radicalmente a pecuária estadual. A expectativa é que essa guinada no mercado aconteça em um ritmo muito mais rápido do que o previsto.

