Antes da aplicação da inseminação artificial, cada animal passa por uma análise realizada pela equipe técnica responsável pelo acompanhamento.
Projeto utiliza inseminação artificial e acompanhamento técnico para melhorar o rebanho e fortalecer a renda de produtores rurais do município
A pecuária leiteira de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, está passando por uma nova etapa de desenvolvimento com um projeto de melhoramento genético na pecuária. A iniciativa busca aumentar a produtividade do rebanho e fortalecer a renda dos produtores rurais do município.
A produção de leite, que já teve maior participação na economia local, perdeu força nos últimos anos. Agora, o município aposta na melhoria das características genéticas dos animais para ampliar a capacidade produtiva das propriedades.
O projeto começou a ser implantado em propriedades rurais de diferentes tamanhos e envolve inseminação artificial, acompanhamento técnico e avaliação individual dos animais.
Segundo o secretário de Agricultura, Pesca e Recursos Hídricos de Maranguape, Afonso Neto, a proposta é produzir mais utilizando um rebanho mais eficiente. “Nós montamos essa equipe de técnicos, começamos a fazer esse trabalho. Nessa propriedade aqui já tem 20 animais resultantes de inseminação artificial. E o que nós pensamos é que, na média de 3 a 4 anos, Maranguape volte a ter um boom na produção de leite. Porque nós vamos produzir com menos animais, menos cabeças nas propriedades de gado, e uma maior capacidade produtiva”
Inseminação artificial passa por avaliação dos animais
Antes da aplicação da inseminação artificial, cada animal passa por uma análise realizada pela equipe técnica responsável pelo acompanhamento. São avaliadas condições de saúde, alimentação e características das matrizes para definir o material genético mais adequado para o processo.
A médica-veterinária Júlia Carrah explica que o acompanhamento começa antes da reprodução dos animais:
“A gente faz uma ficha de todos os animais, fazemos exames nutricionográficos, seja para diagnosticar alguma patologia que elas apresentem, que estejam impedindo elas de gestarem. Ou até algum outro problema que não seja de nutrição, algum problema clínico, certo? A gente faz esses diagnósticos, trata esses animais, acompanha eles e, aí sim, começar o projeto de inseminação artificial.”
O objetivo é garantir que os animais estejam preparados para participar do processo e aumentar as chances de desenvolvimento de um rebanho com maior capacidade produtiva.
Novos animais representam expectativa para produtores
As bezerras que já nasceram a partir do projeto ainda precisarão de tempo para iniciar a produção de leite, mas representam a expectativa de renovação do rebanho. A projeção é que esses animais possam contribuir futuramente para o aumento da produtividade nas propriedades que aderiram ao programa.
Para o pequeno produtor Fernando Abreu, a melhoria genética representa uma oportunidade de ampliar a produção. Ele afirma que tem interesse em trabalhar com a raça Jersey:
“Tenho vontade de ter a Jersey, né? Que é uma raça boa. E eu queria conseguir pelo menos umas quatro puras, que desse de 25 a 30 litros por dia.”
O produtor também destacou que já trabalha com a comercialização do leite. “Ajuda muito, eu vendo, boto a granel e boto para a usina.”
Programa oferece assistência técnica aos produtores
O projeto é destinado a pequenos, médios e grandes produtores de Maranguape. A assistência técnica é oferecida pela Prefeitura, enquanto o criador participa com a aquisição do sêmen e dos hormônios utilizados no protocolo de inseminação.
De acordo com a Secretaria de Agricultura, o acompanhamento envolve profissionais como médicos-veterinários, zootecnistas e agrônomos.
Afonso Neto explica como os produtores interessados podem participar:
“Qualquer produtor, qualquer criador de gado no município de Maranguape pode procurar a Secretaria de Agricultura, que fica na Avenida Doutor Stênio Gomes, 999, no bairro Parque Iracema, em frente ao posto do Detran. Qualquer produtor, procure a Secretaria, que lá vai ser muito bem atendido. A equipe técnica vai botar no planejamento e nós vamos atender no tempo mais hábil possível. É uma economia muito grande para o produtor. A gente acredita que em cada programa desse que a gente faz há uma economia em média de R$ 10 mil ao produtor, porque você vai receber lá na sua propriedade assistência de médicos veterinários, de zootecnistas e agrônomos, totalmente gratuito.”
A expectativa do município é que, nos próximos anos, o melhoramento genético na pecuária contribua para a formação de um rebanho mais produtivo e para o fortalecimento da atividade leiteira em Maranguape

