O equipamento está localizado no Instituto Sesi Senai de tecnologia e conta com uma área de 180 metros quadrados, dividida em quatro laboratórios
Com o objetivo de tornar o Ceará autônomo na certificação do leite e diminuir custos para produtores e industriais, foi inaugurada, com investimento de R$ 6 milhões, nesta quarta-feira, 5, uma nova estrutura laboratorial no Centro de Serviços Industriais (CSI), em Maracanaú, na região metropolitana de Fortaleza.
O equipamento está localizado no Instituto Serviço Social da Indústria (Sesi)/Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de tecnologia e conta com uma área de 180 metros quadrados, dividida em quatro laboratórios:
Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento de Alimentos
Laboratório de Microbiologia de Alimentos
Laboratório de Físico-química de Alimentos e Bebidas
Laboratório de Qualidade do Leite
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Ricardo Cavalcante, explica que no local são serviços capazes de atender às exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), antes disponíveis apenas em outras regiões do Brasil.
Entre eles estão a realização de ensaios microbiológicos e físico-químicos de alimentos e bebidas.
Além disso, a estrutura oferece ensaios microbiológicos e de composição química do leite cru, com estrutura pronta para integração à Rede Brasileira de Qualidade do Leite (RBQL) e serviços para o desenvolvimento de novas formulações, melhoria de produtos existentes, avaliação de vida de prateleira, elaboração de rotulagem e informação nutricional.
O presidente destaca, assim, que o centro atende “uma necessidade concreta da indústria cearense”, ao ter a capacidade de permitir que o Estado tenha autonomia nos processos de pesquisa, desenvolvimento e análises da cadeia de alimentos e bebidas.
“São serviços que fortalecem a inovação, garantem a segurança dos alimentos, agregam valor à produção e tornam nossas empresas mais preparadas para competir em mercados cada vez mais exigentes”, explica.
Como exemplo, ele aponta o setor leiteiro cearense, responsável por produzir cerca de 2 milhões de litros por dia e descrito como o mais beneficiado pelos novos laboratórios, que atualmente precisa realizar as análises da produção no Sul ou no Sudeste do País e, com a nova estrutura, poderá começar a realizar essas etapas no Estado.
Mudança que, conforme Cavalcante, poderá aumentar a segurança do processo, que não dependerá de uma logística de transporte mais demorada, e diminuir os custos de produção para os produtores e empresários.
Sobre a qualidade dos produtos, o gerente do CSI, Carlos Mesquita, pontua, por exemplo, que há leites que possuem uma vida útil de 24 a 48 horas.
“Se analisarmos esse produto desde o momento em que ele sai da vaca até ser transportado ao aeroporto e enviado a São Paulo para os ensaios, fica claro que a celeridade diminui. Mesmo utilizando um conservante para prolongar a vida do leite, a análise de uma amostra do Ceará enviada para lá não tem a mesma agilidade que a de um produtor local de São Paulo.”
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José Antunes Fonseca, presidente do Sindicato da Indústria de Lacticínios e Produtos Derivados no Estado do Ceará (Sindlacticínios), reforça esse cenário, destacando que os ganhos são “imensuráveis”.
“O laticínio, independentemente do porte, precisa pagar todo esse custo para chegar lá em São Paulo e agora os serviços poderão ser realizados no Ceará. Então, eu sei que todo o setor vai ter ganho financeiro e de qualidade”, comenta.
O empresário foi, inclusive, o responsável por apresentar essa demanda do setor à presidência da Fiec. Em reconhecimento à sua iniciativa, ele foi homenageado ao dar nome aos laboratórios.
Outro ponto importante dos laboratórios é que, de acordo com o gerente do CSI, eles foram construídos com a capacidade de atender indústrias e produtores de todo o Nordeste, sendo voltado tanto para empresas quanto para pessoas físicas.
Mesmo capacitado, processo de acreditação ainda está em andamento
Destaca-se, entretanto, que mesmo que os laboratórios tenham sido construídos para atender os critérios da Anvisa e do Mapa, o processo de acreditação ainda está em andamento e não possui um prazo exato para ser finalizado, conforme pontua Carlos Mesquita.
Ele explica que há um passo a passo que precisa ser seguido e que é necessário primeiroobter a certificação da Anvisa para que possa ser adquirida a do Mapa.
Mesquita acrescenta, porém, que o laboratório está em funcionamento e já realiza alguns ensaios acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
“Um dos ensaios que a gente pode fazer é o tempo de validade do produto. Teve o produto de um cliente nosso, por exemplo, que conseguimos aumentar a validade dele de 7 para 30 dias. ‘O que aconteceu?’ O cliente que antes vendia só na rede de Fortaleza e região metropolitana começou a expandir a empresa para outros municípios do interior”.
OPERAÇÃO
O laboratório está em funcionamento e já realiza alguns ensaios creditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

