O Produto Interno Bruto (PIB) cearense apresentou crescimento de 1,93%, no primeiro trimestre de 2026, percentual superior ao nacional (1,8%). A Agropecuária liderou o crescimento (3,60%), seguida do setor de Serviços (2,35%), enquanto a Indústria teve aumento tímido (0,15%). Apesar do crescimento, o resultado fez o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) redefinir a previsão inicial de 3,0% para 2,70% no próximo trimestre.
Os resultados foram apresentados, nessa terça-feira (23/06), pela equipe de analistas do instituto e o diretor, Alfredo Pessoa, enfatizou a evolução econômica. “Na realidade, desde dezenove a gente já cresce um pouco mais que o Brasil. Aí teve a pandemia, caiu todo mundo e em 2024, 2025 e parte de 2026 já cresce a mais. Os esforços são muito grandes e o governo tem procurado investir e descentralizar o investimento fazendo obras no interior do Estado e isso é muito importante. Esses investimentos de 2023, 2024, 2025 superam R$ 11 bilhões e estão impactando na economia e com o aumento da geração de emprego”.
Para o estudo do Ipece, o crescimento dos negócios agropecuários no Estado se deve à melhor gestão hídrica e ao aumento na produção hortifrutis e de leite. “No primeiro trimestre, realmente, a gente tem um comportamento mais suave, que é uma característica da nossa agropecuária. O lado positivo é que nós temos um setor mais estruturado, menos dependente das lavouras agrícolas (milho, mandioca, feijão) e mais bem distribuído em todo o estado. Agora, a gente olha muito para as atividades pecuárias, o setor leiteiro já é consolidado. E agora nós temos uma gestão hídrica que dá condição de planejamento para os produtores que plantam em irrigação, com hortaliças e frutas irrigadas voltadas principalmente para exportação e mercado interno”, detalhou a assistente técnica do Ipece, Cristina Maia.
Serviços
Com o segundo melhor desempenho, o setor de Serviços se destacou pela geração de empregos formais com um total de 9.304 vagas, com oportunidades na administração pública, informação e comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, além de serviços prestados às famílias. As vendas no varejo também impulsionaram esse crescimento com taxa de 5,0%.
Outro analista do Ipece, Alexsandre Lira, acredita que esse ainda não é o melhor período do ano. “O primeiro trimestre não é o melhor, por isso que eu acho que, no segundo e, principalmente, no terceiro semestre vai ter uma coisa boa por aí, pois essa dinâmica do setor de Serviços ao longo do ano também vai ser puxada pelas eleições. O efeito do imposto de renda ainda vai ser melhor sentido. Então a expectativa é que no segundo e terceiro a gente tenha talvez um crescimento acima de 3%”, contabilizou.
Apesar do baixo crescimento da indústria, para o analista de Políticas Públicas do Ipece, Witalo Paiva, o contexto que a economia do Ceará vem enfrentando deve ser observado. “Esse sinal de estabilidade é importante, pois o ambiente macroeconômico é mais restritivo e aqueles estímulos à demanda perderam força, tem uma taxa de juros crescente neste período de 2025 para cá e mais recentemente uma forte concorrência externa. Então, é um ambiente mais desafiador para a indústria”, explicou

