Carne bovina brasileira deve assumir a liderança mundial de produção em 2025. A projeção é do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O dado marca uma mudança inédita no ranking do setor.
Até então, os Estados Unidos lideravam a série histórica do órgão. No entanto, as estimativas mais recentes indicam inversão. E o movimento combina avanço no Brasil e retração no rebanho americano.
Carne bovina brasileira supera EUA nas estimativas do USDA
A projeção do USDA aponta o Brasil com 12,35 milhões de toneladas equivalentes de carcaça em 2025. Já os Estados Unidos devem fechar o ano com 11,81 milhões. A diferença estimada é de 4,5% a favor do Brasil.
Na sequência aparece a China, com previsão de 7,79 milhões de toneladas. O resultado reforça o peso do Brasil na oferta global. Com isso, a carne bovina brasileira pode responder por 19,9% da produção mundial, perto de um quinto do total.
Além disso, o salto se relaciona ao ritmo recente do país. A estimativa indica crescimento de 4,2% frente a 2024, quando o Brasil teria produzido 11,85 milhões de toneladas. Em sentido oposto, os Estados Unidos teriam queda de 3,9% no mesmo período.
Rebanho americano encolhe e pressiona a oferta
A queda projetada nos Estados Unidos se explica por fatores estruturais e conjunturais. O USDA estima que o país opera com o menor rebanho desde 1952, em torno de 86,6 milhões de cabeças.
Condições climáticas adversas afetaram pastagens e disponibilidade de alimento. Ao mesmo tempo, custos mais altos, como ração e energia, aumentaram a pressão sobre o produtor. Como consequência, parte do setor reduziu o tamanho do rebanho.
No Brasil, o rebanho estimado pelo USDA é bem maior, em torno de 186,9 milhões de cabeças. Esse volume cria base para sustentar a oferta interna e, ao mesmo tempo, ampliar presença externa. Por isso, a carne bovina brasileira ganha vantagem competitiva quando outros grandes produtores enfrentam restrição de animais.
Exportações reforçam protagonismo e apontam empate em 2026
O Brasil já ocupa a liderança mundial nas exportações de carne bovina há mais de duas décadas. Em 2025, as vendas externas do país devem alcançar 4,25 milhões de toneladas, segundo o USDA. Isso representaria um recorde e um avanço de 16,8% sobre 2024.
Dados citados para o comércio exterior também indicam alta nas exportações brasileiras até novembro de 2025. Mesmo com impacto de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos por parte do ano, o desempenho segue em expansão. Nesse cenário, a carne bovina brasileira amplia presença e consolida mercados.
Enquanto isso, os Estados Unidos tendem a reduzir exportações. A estimativa aponta 1,17 milhão de toneladas em 2025, com recuo de 14% em relação ao ano anterior. Austrália e Índia aparecem como outros exportadores relevantes, com volumes estimados de 2,18 milhões e 1,61 milhão de toneladas, respectivamente.
Para 2026, o USDA projeta um novo ajuste. A expectativa é de empate entre Brasil e Estados Unidos, com produção próxima de 11,7 milhões de toneladas para cada país. Ainda assim, a mudança de liderança em 2025 já sinaliza um novo ciclo de concorrência global, com o Brasil em posição central.
A projeção do USDA indica que 2025 pode consolidar um marco para a carne bovina brasileira, com o país liderando a produção mundial pela primeira vez. O avanço resulta do aumento de oferta no Brasil e da redução do rebanho americano. Além disso, o desempenho nas exportações reforça o protagonismo brasileiro. Para 2026, a possibilidade de empate sugere um cenário mais disputado, com impacto direto sobre preços, estratégias de produção e presença internacional do setor.
