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AGRO

Açaí irrigado e cacau tecnificado duas atividades que vêm transformando a produção no Estado do litoral ao sertão.

Açaí irrigado: a cultura que “virou cearense”

O açaí, antes restrito às áreas de várzea e clima úmido do Norte, encontrou no Ceará um novo território para expandir. O chamado açaí de terra firme, cultivado em regiões irrigadas, mostrou uma adaptação surpreendente:

  • Produção contínua durante os 12 meses do ano
  • Demanda crescente em academias, cafeterias e pontos de venda
  • Baixo consumo de água quando comparado a outras frutíferas
  • Possibilidade de aproveitamento integral da planta — incluindo a semente, rica em óleos para cosméticos e produtos naturais

Produtores da região litorânea e do Vale do Curu relatam ganhos consistentes de produtividade, qualidade sensorial superior (com maior teor de sólidos solúveis — o brix) e um mercado forte para expansão.

Segundo produtores entrevistados, o açaí irrigado do Ceará apresenta sabor naturalmente mais adocicado graças às mais de 3.200 horas de sol por ano, tornando-se competitivo até com o produto do Pará.

A atividade já gera emprego direto estimado em uma pessoa por hectare e deve crescer com novos investimentos privados e apoio dos órgãos estaduais.

Cacau no semiárido: tecnologia, irrigação e alta rentabilidade

Outro destaque é o cacau cultivado no Vale do Jaguaribe em sistemas irrigados e integrados. Implantado há pouco mais de uma década, o cultivo mostrou resultados muito acima da média nacional.

Entre os avanços técnicos:

  • Teste de 12 clones, com seleção de 6 materiais altamente produtivos
  • Produtividade de 2.500 a 3.000 kg de amêndoas por hectare, superando regiões tradicionais
  • Baixa incidência de doenças como a vassoura-de-bruxa, favorecida pelo clima seco
  • Ciclo mais rápido:
    • 3 anos para entrar em produção no Ceará
    • 5 anos em outros estados produtores

O manejo utiliza irrigação fracionada em pulsos, garantindo eficiência hídrica e redução de perdas. A verticalização também avança: além de produzir amêndoas premium, empreendedores locais já iniciaram a fabricação de nibs, manteiga de cacau, pó e chocolates artesanais de alto valor agregado.

Com o preço da amêndoa atingindo R$ 60/kg, a cultura se tornou uma das mais rentáveis do semiárido, com projeções de expansão superior a 120 hectares nos próximos anos.

Histórias que inspiram: Edson Brock produtor que virou referência em exportação

 Edson Brock produtor de bananas em Limoeiro do Norte, cuja história une vocação exportadora, inovação e resiliência.

Com 26 anos dedicados à bananicultura, Edson se tornou referência nacional na exportação da fruta. Ele destaca:

  • A importância da gestão e profissionalização
  • O papel da tecnologia na produção contínua
  • A busca constante pela qualidade
  • A visão de futuro e diversificação para outras culturas

“Banana é como família: mãe, filha, neta. A gente cuida como se fosse parte da gente”, afirma Edson, reforçando o cuidado com irrigação, manejo e sustentabilidade.

O agro que floresce onde poucos acreditavam

O Ceará reúne as condições para liderar novas cadeias produtivas graças à combinação de:

  • Solo e clima abundantes em radiação solar
  • Avanços em irrigação e manejo tecnificado
  • Empreendedores dispostos a inovar
  • Ações de apoio técnico e políticas públicas
  • Crescimento do mercado consumidor local e nacional

Do açaí ao cacau, da banana às culturas emergentes, o agro cearense mostra que é possível produzir com eficiência, qualidade e valor agregado — transformando paisagens, economias e comunidades inteiras.

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