Caprinocultura de leite impulsiona renda e novos mercados
Caprinocultura de leite ganhou força em Quixadá com um modelo que uniu produção no campo e transformação do leite em derivados. A mudança começou de forma simples, com poucos animais, e evoluiu para um capril estruturado em uma área de cinco hectares. Além disso, a produção passou a focar em qualidade e valor agregado, com queijos, doces e iogurtes que ampliaram a margem e reduziram dependência de venda de leite in natura.
A rotina na propriedade também evidenciou um desafio comum no Sertão Central: mão de obra e água. Mesmo assim, o negócio avançou com organização, capacitação e participação em eventos. Com isso, a caprinocultura de leite deixou de ser apenas atividade de suporte e passou a ser projeto de vida, com metas claras de crescimento e formalização.
Caprinocultura de leite em Quixadá vira referência em derivados
A caprinocultura de leite em Quixadá ganhou escala com a ampliação do rebanho e a decisão de transformar todo o leite em produtos finais. Hoje, a propriedade reúne cerca de 40 animais e concentra a operação na produção artesanal. O destaque de vendas é um queijo chamado Pérola do Sertão, citado como carro-chefe do portfólio. Ao mesmo tempo, novos produtos seguem em desenvolvimento para diversificar o mix e ampliar presença no mercado.
A estratégia de agregação de valor se tornou resposta direta às barreiras de consumo. Derivados de leite de cabra ainda enfrentam resistência em parte do público. Por isso, o desafio passa por fazer o consumidor provar, entender o produto e reconhecer qualidade. Nesse ponto, a venda direta em eventos apareceu como virada de chave, porque abre espaço para degustação, diálogo e construção de confiança.
A primeira experiência de comercialização em grande escala foi citada em uma feira de referência no estado. O resultado consolidou uma decisão: a caprinocultura de leite poderia sustentar o negócio, desde que fosse tratada como marca, produto e posicionamento.
Cursos, editais e apoio técnico aceleram profissionalização
O crescimento foi associado a capacitações e redes de apoio. Um curso local abriu caminho para aprender novos derivados e ajustar processos. Depois, formações com instituições ampliaram o portfólio e trouxeram visão técnica para a produção. A proposta passou a ser melhorar continuamente, com mais variedade e mais domínio sobre a massa do queijo, textura e padrões.
Editais também foram citados como pontos de aceleração. Um deles, voltado a mulheres rurais, foi descrito como oportunidade de ampliar a higienização e modernizar materiais, com foco em inox e estrutura adequada. Outro acompanhamento foi mencionado junto a uma escola de gastronomia em Fortaleza, com duração de oito meses, incluindo orientação e possibilidade de criação de um novo produto. Entre as metas, foi citado um queijo de massa dura, já batizado como Ouro do Sertão.
Também houve menção a apoio do Sebrae, com presença em eventos e conexão com oportunidades. Esse tipo de suporte reduz isolamento do produtor, amplia acesso a mercado e fortalece a gestão. Assim, a caprinocultura de leite passa a operar com mais previsibilidade e com estratégia de crescimento.
Formalização, água e visão de futuro no Sertão Central
A busca por formalização apareceu como etapa decisiva. Foi citada a conquista do selo de inspeção municipal, entendido como primeiro passo para vender com segurança e ampliar alcance. A meta seguinte é alcançar um selo que permita comercialização em escala maior, inclusive fora do município. Com isso, o produto artesanal passa a disputar espaço em prateleiras com mais visibilidade, desde que exista valorização do feito no campo.
Ao mesmo tempo, dificuldades estruturais seguem presentes. A falta de poço e cisterna foi mencionada como limitador para irrigação e manejo de forragem, exigindo soluções como reuso de água para sustentar a produção. Ainda assim, a narrativa reforça que o Sertão não se resume a escassez. Ele também concentra riqueza produtiva quando há técnica, persistência e gestão.
A mensagem central é que a cabra pode ser tratada como ativo de alto valor. Em vez de símbolo de pobreza, a criação é apresentada como fonte de proteína de qualidade e oportunidade de negócio. Com produção diária e foco em padrão, a caprinocultura de leite se fortalece como caminho real de desenvolvimento local.
A caprinocultura de leite em Quixadá mostra como valor agregado pode transformar uma produção pequena em negócio sustentável no Sertão Central. Ao investir em derivados, capacitação, formalização e presença em eventos, a atividade ganha mercado e melhora a margem. Mesmo com desafios como água e mão de obra, a experiência reforça que organização e persistência tornam a produção artesanal competitiva. O resultado é um exemplo de empreendedorismo rural com potencial de expansão e impacto regional.
