Com previsão de temperaturas mais altas e redução das chuvas nos próximos meses, produtores rurais reforçam estoques de forragem, investem em irrigação e acompanham as reservas hídricas para reduzir os impactos da estiagem no Ceará.
A previsão de temperaturas mais elevadas e redução das chuvas provocadas pelo fenômeno El Niño tem levado pecuaristas do Ceará a reforçarem o armazenamento de alimento para o gado. Além da formação de reservas de forragem, produtores e órgãos ligados ao setor agropecuário acompanham a situação dos mananciais e das bacias hidrográficas diante da possibilidade de um cenário climático mais seco no fim deste ano e no início do próximo.
As previsões da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que o El Niño poderá provocar temperaturas mais altas e diminuição das precipitações no estado. O cenário preocupa principalmente quem depende das chuvas para a produção agrícola, embora agricultores que utilizam irrigação e outras tecnologias tenham maior capacidade de reduzir os impactos da estiagem.
Pecuaristas reforçam estoque de alimento para enfrentar estiagem
Entre os produtores da agropecuária, a preparação passa pelo armazenamento antecipado de forragem para garantir alimentação aos rebanhos durante os períodos de menor oferta de pastagem.
O coordenador da Coordenadoria da Agricultura Familiar (Codaf), da Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), Ademar Holanda, afirma que a principal preocupação está relacionada aos recursos hídricos.

Segundo ele, o acompanhamento permanente das bacias envolve diferentes órgãos públicos e representantes da sociedade para monitorar a disponibilidade de água e planejar ações durante períodos de menor chuva.
Ademar Holanda também destaca que os produtores contam com apoio técnico e podem buscar financiamento quando necessário.

Agricultura familiar aposta em tecnologias para reduzir impactos
Embora o El Niño possa afetar principalmente a agricultura de subsistência, produtores que utilizam sistemas de irrigação e outras tecnologias conseguem enfrentar com maior segurança períodos prolongados de seca.
Agricultura familiar aposta em tecnologias para reduzir impactos
Embora o El Niño possa afetar principalmente a agricultura de subsistência, produtores que utilizam sistemas de irrigação e outras tecnologias conseguem enfrentar com maior segurança períodos prolongados de seca.
O presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras do Ceará (Fetraece), Luis Carlos Ribeiro, afirma que as políticas voltadas para a convivência com o semiárido têm contribuído para reduzir os impactos das estiagens.

Segundo Ademar Holanda, as tecnologias atualmente disponíveis também ajudam a manter a produção mesmo em períodos de menor disponibilidade hídrica.

Seca entre 2012 e 2017 levou à criação de ações permanentes
O Ceará enfrentou um dos períodos mais críticos de estiagem entre 2012 e 2017. Na época, um episódio de El Niño de intensidade muito forte contribuiu para agravar a redução das chuvas, exigindo a ampliação de medidas emergenciais e investimentos voltados à segurança hídrica.
Durante aquele período foi criado um comitê integrado formado por órgãos das áreas de agricultura, recursos hídricos, economia, municípios e representantes da sociedade civil para coordenar ações de convivência com a seca
A partir desse trabalho foram desenvolvidas iniciativas como a ampliação do acesso às cisternas, perfuração de poços, construção de adutoras, disponibilização de crédito aos produtores, distribuição de alimentos e fortalecimento de programas já existentes para o meio rural.
Reservatórios e preservação ambiental permanecem no foco
Além da preparação para enfrentar possíveis períodos de estiagem, representantes do setor rural também chamam atenção para a necessidade de preservar os recursos naturais.
Luis Carlos Ribeiro afirma que a sustentabilidade faz parte das discussões voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar.


