O roubo de bovinos e ovinos no sertão cearense é praticado à luz do dia por bandidos bem organizados. O agro está preocuoado
No Sertão Central, humanos e animais roubam e matam ovinos e bovinos. Na RMF, os roedores destroem plantações.
Não é somente o crime organizado e seus agentes bípedes que causam medo à atividade agropecuária no Ceará: os quadrúpedes, aparentemente também organizados, atacam plantações e rebanhos bovinos, ovinos e caprinos, “e ninguém faz nada para combater esses nossos inimigos”, como reclama e protesta o agropecuarista José Maria Pimenta, cuja fazenda de produção, em Quixeramobim, no Sertão Central do estado, tem sido vítima dessa nociva novidade.
De acordo com Pimenta, os agropecuaristas de Quixeramobim e dos municípios do seu entorno enfrentam dois problemas: o roubo de bois e vacas, praticado por ladrões de gado que agem durante o dia e à noite, e o ataque a carneiros e ovelhas que são mortos por matilhas de cães à luz do sol. Tanto os malfeitores humanos quanto os caninos famintos parecem treinados para fazer o que fazem.
Mas, contra a agricultura, há outra ameaça crescente, esta procedente da natureza e bem localizada nos municípios da Região Metropolitana de Fortaleza: as capivaras. São os maiores roedores do mundo, vivem em grupos que se aglomeram ao redor de rios e açudes, alimentando-se de capim e plantas aquáticas. Na zona rural de Maranguape, mais localizadamente no distrito de Amanari, 60 km ao Sul de Fortaleza, elas estão destruindo cultivos de cereais, como os de milho e feijão, segundo revela à coluna um pequeno agropecuarista de lá
“Estamos vendo crescer a população desses roedores e isto nos deixa preocupados, pois até agora os organismos públicos que cuidam do meio ambiente nada fizeram. É preciso lembrar que as capivaras são protegidas por Lei, razão por que o seu manejo e o seu controle exigem autorização dos organismos ambientais, e este é mais um motivo que agrava a nossa preocupação”, diz o produtor, acrescentando que, até para o afugentamento das capivaras, é necessária uma licença ambiental.
O caso do roubo de bois e vacas não atinge (do verbo atingir, aquele que destrói, que prejudica, que danifica, que causa prejuízo) apenas o Sertão Central. Esta coluna tem recebido mensagens de vários pecuaristas do Cariri, da Região Norte e do Oeste (Tauá incluído) contando casos de roubo de gado bovino, caprino e ovino.
“Os ladrões agem em grupo e usam motocicletas, caminhonetes e até caminhões nas suas ações que acontecem durante o dia e à noite. O pior é que a Polícia, que sempre chega atrasado, não consegue identificar e prender os bandidos”, diz o presidente de um Sindicato Rural do Sertão Central, na opinião de quem o agro do Ceará, acostumado a enfrentar dificuldades, está diante de mais um grande desafio que só será vencido “se o governo chegar junto”.
Produzir na agricultura e na pecuária do Ceará é, como se observa, um ato de heroísmo, tantas são as hostis condições em que esse esforço acontece. Mas o cearense é resiliente, e enfrentar desafios tem sido a sua sina. O que preocupa é o fato de que, agora, esses desafios se ampliaram para além das causas naturais. O crime evoluiu, tornou-se violento; hoje até nos confins do sertão cearense ele passou a existir e a espalhar o medo nas fazendas, onde a casa grande virava a noite com portas e janelas abertas.
A paz que existia no campo não existe mais, infelizmente, pois nele o crime organizado sentou praça com um agravante: agora ele tem um conteúdo ideológico perceptível.

