Assim como ocorre com os caprinos, o rebanho ovino brasileiro está fortemente concentrado no Nordeste, que responde por 73,5% do total nacional. O Ceará é o 3º estado nordestino em tamanho de rebanho ovino, com crescimento de 77 mil cabeças na última série da Pesquisa da Pecuária Municipal do IBGE. Em 2024, o rebanho ovino brasileiro bateu recorde histórico, alcançando 21,9 milhões de cabeças. Consequentemente, na 73ª Expocrato, a ovinocultura divide os currais com caprinos e bovinos, com 1.300 caprinos e ovinos inscritos nos julgamentos que contemplam as principais raças nativas e importadas que compõem o rebanho do Nordeste.
Nesse sentido, a convivência entre raças nativas — moldadas por gerações de adaptação ao semiárido — e raças de corte importadas, selecionadas para alta conversão em carne, é um dos aspectos mais ricos da ovinocultura exibida na Expocrato. Para o criador nordestino, a escolha entre uma raça nativa e uma exótica costuma equilibrar dois fatores: a rusticidade necessária para suportar períodos de estiagem e o retorno econômico de animais com maior ganho de peso.
Raças nativas, criadas para a caatinga
A Morada Nova, raça nativa de origem africana encontrada principalmente no Ceará, tem aptidão voltada à produção de carne e pele, com pelagem branca, vermelha ou preta, podendo atingir até 40 kg nos machos. Consequentemente, é uma das raças mais associadas à identidade pecuária cearense — e um dos símbolos do patrimônio genético ovino do semiárido nordestino.
Nesse sentido, a Santa Inês é hoje a raça ovina de maior expressão em todo o Brasil. Resultado do cruzamento entre as raças Bergamácia e Morada Nova, é extremamente rústica e adaptável a diferentes regiões do país, com pelagem preta, vermelha, branca ou chitada e machos que podem chegar a 80 kg. Na Expocrato, a Santa Inês tem premiação própria — a Copa HCG Santa Inês —, refletindo sua posição de protagonismo na ovinocultura nordestina. A Crioula, raça nativa mais associada à vegetação de caatinga, de pequeno porte e lã grosseira, é considerada uma das raças mais rústicas do rebanho ovino nordestino.
Raças de corte importadas: Dorper e White Dorper em pista
A Dorper, originária da África do Sul, é uma raça de corte encontrada em todas as regiões do Brasil, reconhecida pela pelagem branca com cabeça e pescoço pretos, com machos que podem atingir 90 kg. Consequentemente, sua pele também tem alto valor comercial — um diferencial que amplifica a rentabilidade do produtor além da carcaça. A Expocrato 2026 reúne julgamentos das categorias Dorper e White Dorper, atraindo criadores de toda a região que buscam referência genética para seus plantéis.
Nesse sentido, o crescimento do rebanho ovino nordestino nos últimos anos — com o Ceará registrando acréscimo de 77 mil cabeças na última série do IBGE — reflete diretamente a expansão dos cruzamentos entre raças nativas e Dorper, que tem se consolidado como estratégia de melhoria de ganho de peso sem comprometer a resistência climática dos animais. O produtor que visita os julgamentos da Expocrato esta semana encontra, em pista, os melhores exemplares desse processo de melhoramento genético.
O que muda na prática para o produtor
- Criadores de ovinos: acompanhar a Copa HCG Santa Inês na Expocrato como referência de padrão racial e valorização de plantel
- Produtores interessados em ganho de peso: comparar Dorper e White Dorper em pista — os julgamentos da Expocrato são a melhor referência regional
- Criadores de Morada Nova e Crioula: verificar programas de conservação de raças nativas junto à Embrapa Caprinos e Ovinos em Sobral
- Avaliar cruzamentos Dorper x raças nativas como estratégia de rusticidade + ganho de peso no rebanho
- Acompanhar os resultados dos julgamentos de ovinos na Expocrato como indicador de valorização genética dos plantéis premiados

