O equipamento integrará o Complexo Logístico Industrial do Sertão Central, junto com o porto seco, somando um investimento total de R$ 2,5 bilhões
A bacia leiteira de Quixeramobim terá uma redução de 60% no custo logístico, que inclui as despesas geradas desde o momento em que a matéria-prima sai do fornecedor até o produto final ser entregue ao cliente, com a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) que será instalada na Cidade.
A informação foi divulgada por Amarílio Macêdo, empresário e dono do terreno onde o equipamento será instalado, durante a visita do presidente da república, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às obras da Transnordestina no Município (a 186,48 km de Fortaleza), que ocorreu na quinta-feira, 2.
De acordo com Macêdo, essa redução irá ocorrer pois a “ZPE é o futuro da potencialização do uso da Transnordestina”.
“Transportar o grão para o Porto do Pecém é fantástico, mas no processo ferroviário só quem está trabalhando é o maquinista. Agora transportar material para a indústria na ZPE que vão produzir coisas de exportação vai gerar uma grande quantidade de empregos”, explicou.
Ele afirmou que essa relação com a indústria na bacia leiteira, por exemplo, fará com que o grão seja transformado em ração animal. O processo irá fortalecer o setor e, segundo ele, diminuirá esses custos.
O setor, inclusive, conforme o secretário do Desenvolvimento Econômico de Quixeramobim, Afrânio Feitosa, será um dos primeiros beneficiados pelas operações da Transnordestina com Porto Seco José Dias de Macêdo, equipamento que será instalado junto da ZPE no Complexo Logístico Industrial do Sertão Central (CLI).
O protocolo de intenções para o início das obras do equipamento, segundo Feitosa, será assinado no dia 14 de agosto, no aniversário do Município. Já as operações, junto com a ferrovia, devem começar em outubro.
De acordo com o secretário, apenas a troca do modal rodoviário pelo ferroviário já deve representar uma redução que pode ultrapassar os 57% no transporte de grãos.
“Uma operação saindo de Simplício Mendes, no Piauí, para Quixeramobim, custaria em torno de R$ 280 por tonelada (t) no modal rodoviário e R$ 120/t no ferroviário. Saindo de Eliseu Martins o valor diminuiria de R$ 320/t para R$ 220/t”, contou.
Outro ponto citado pelo titular da pasta foi a construção de uma nova estrada interligando o Hospital Regional do Sertão Central (HRSC) ao Porto Seco. A obra já possui um projeto feito pela Superintendência de Obras Públicas do Estado (SOP).
Conforme Feitosa, com a via, o percurso entre os locais poderá ser realizado em “praticamente uma reta”. O investimento estimado é de R$ 33 milhões, porém ainda não há uma data para o início das intervenções que, segundo Afrânio, devem ocorrer de forma “imediata”.
Tratativas estão sendo realizadas para inauguração da ZPE
Em relação a inauguração da ZPE, Cirilo Pimenta, prefeito de Quixeramobim, comentou, ao ser questionado se o início das operações ocorreriam junto da Transnordestina, que as tratativas estão sendo realizadas.
“Nós já tivemos uma reunião com o governador, Elmano de Freitas (PT), com o senador federal Cid Gomes (PSB) também. E, semana passada nos reunimos com uma pessoa responsável pela ZPE do Pecém, que está orientando o empresário Amarílio Macêdo, para que eles possam apressar isso”, apontou.
Além disso, o gestor destacou que uma empresa chinesa “já está com processo bem adiantado de entendimento para implantar a indústria dentro da ZPE”.
“Precisamos ter uma empresa ampla que possa ser um carro-chefe para puxar outros empreendimentos para dentro do equipamento. Então tudo isso está sendo bem trabalhado”, comentou.
E acrescentou: “As negociações já estão bem adiantadas, inclusive com reuniões sendo realizadas com a Secretaria do Planejamento e Gestão do Estado do Ceará (Seplag) e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE)”.
A ZPE é um distrito industrial de incentivos, destinado a sediar empresas orientadas para o mercado externo. Em Quixeramobim ela fará parte do CLI, instalado na Fazenda Canhotinho.
Conforme adiantado na coluna da jornalista Beatriz Cavalcante, publicada em outubro de 2025, o espaço, que abrigará também o Porto Seco, terá 1.307 hectares, o equivalente a aproximadamente 1.210 campos de futebol ao todo. O investimento total será de cerca de R$ 2,5 bilhões.

