A cadeia apícola cearense ganhou um braço institucional de peso para acessar o mercado internacional: o Programa Exporta Mais Brasil — Mel e Própolis, iniciativa realizada pelo Sebrae/CE em parceria com o Sebrae nacional, busca ampliar a inserção dos produtos do setor apícola no comércio exterior, identificando oportunidades de negócios e fortalecendo a competitividade das empresas do segmento. Consequentemente, a iniciativa aproxima empreendimentos brasileiros de compradores internacionais por meio de ações de promoção comercial, rodadas de negócios e missões de prospecção.
Nesse sentido, no Ceará, a cadeia produtiva da apicultura reúne empreendimentos que se destacam pela qualidade dos produtos, pela adoção de boas práticas de produção e pelo potencial de atender aos padrões internacionais — potencial que o próprio Portal AgroMais já havia destacado ao cobrir os resultados do Pronaf Semiárido e das linhas de sociobiodiversidade, que incluem o mel da Caatinga entre as cadeias com maior crescimento de acesso ao crédito no ciclo que encerra hoje.
Por que o mel cearense tem potencial exportador real
O mel produzido no semiárido cearense — especialmente o mel de tiúba e o mel de jandaíra, produzidos por abelhas nativas sem ferrão da Caatinga — tem características sensoriais e nutricionais únicas, reconhecidas por pesquisadores e por compradores internacionais de produtos diferenciados. Consequentemente, esses produtos se encaixam exatamente no perfil que os mercados europeu e asiático mais valorizam: origem identificada, processo artesanal, sustentabilidade ambiental e biodiversidade local — atributos que justificam preços premium muito acima do mel convencional.
Ademais, o própolis cearense, especialmente o produzido por abelhas nativas, também tem mercado crescente no Japão, nos Estados Unidos e na Europa, onde é consumido como suplemento alimentar e produto de saúde natural. Nesse sentido, a combinação entre o Programa Exporta Mais Brasil e as novas condições de crédito do Pronaf para a sociobiodiversidade (1% ao ano a partir de hoje) cria um contexto inédito de apoio à cadeia apícola cearense — dinheiro barato para produzir e suporte técnico para exportar.
Como o programa funciona e a conexão com o Mercosul-UE
O programa inclui ações de promoção comercial que preparam o produtor para as exigências do comércio exterior — certificação de origem, rastreabilidade, adequação a normas sanitárias internacionais e embalagem adequada para exportação. Consequentemente, esse preparo dialoga diretamente com o que o Mapa havia apresentado em Bruxelas nas últimas semanas, ao destacar as políticas brasileiras de sustentabilidade e rastreabilidade como porta de entrada para os mercados europeus via Mercosul-UE.
Nesse sentido, para o apicultor cearense, o caminho até o mercado europeu passa por essas etapas de adequação — e o Programa Exporta Mais Brasil do Sebrae/CE é justamente o suporte técnico que pode acelerar esse percurso, levando o mel da Caatinga às prateleiras de Roterdã e Lisboa com a identidade territorial que o produto merece e o valor que o mercado está disposto a pagar.
O que muda na prática para o produtor
- Apicultores cearenses: buscar o Sebrae/CE para informações sobre como participar do Programa Exporta Mais Brasil — Mel e Própolis
- Verificar as exigências de certificação e rastreabilidade para acesso aos mercados europeu e asiático antes de iniciar o processo de exportação
- Combinar o Programa Exporta Mais Brasil com as novas condições do Pronaf (1% ao ano para sociobiodiversidade) para financiar a produção com crédito barato
- Produtores de mel de tiúba e jandaíra: destacar a origem e as características únicas do produto como diferencial competitivo nos mercados de nicho
- Cooperativas apícolas: avaliar o acesso coletivo ao programa, já que rodadas de negócios e missões de prospecção costumam ter resultados mais expressivos quando realizadas por grupos de produtores

