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AGRO

Revolução no agro cearense: a mulher no lugar do homem

Rita Grangeiro, empresária cearense do agro, fala da falta de mão obra, mas destaca a presença crescente da mulher na atividade rural

Rita Grangeiro, sócia e diretora da Fazenda Grangeiro, revela: 20% do que hoje produz o agro do Ceará saem de fazendas dirigidas por mulheres.

Sem energia e sem mão de obra, a agricultura e a pecuária não crescem. Assinado, Rita Grangeiro, sócia e diretora da Fazenda Grangeiro, que, ao longo do ano todo, produz feijão e coco verdes em área de 400 hectares na geografia rural do litorâneo município de Paracuru. 

Vista do alto, a Grangeiro nem parece uma fazenda, mas um gigantesco e belo pomar muito bem cuidado. Mas cuidado por quem? – esta coluna quis saber dela. E sua resposta veio de bate-pronto:  

“Por mulheres, porque a mão de obra masculina escasseou, eu diria mesmo que ela desapareceu atraída pelos apelos do Bolsa Família”, disse Rita Grangeiro. 

Faz sentido. O lamento dessa ativa e incansável empresária do agro é mais um que chega com a denúncia de que os trabalhadores rurais no Ceará e nos demais estados nordestinos decidiram trocar o emprego formal, com carteira assinada, pelo ócio remunerado com dinheiro público.  

Rita Grangeiro divide-se em duas, porque – além da lide cotidiana que a leva a comandar, pessoalmente, todo o processo de cultivar, colher, comercializar e transportar até o cliente supermercadista sua produção de feijão e coco – ela dá conta, também, das atividades sindicais: neste momento, Rita cuida de organizar, com outras colegas produtoras rurais filiadas à Federação da Agricultura e Pecuária (Faec), mais um Encontro das Mulheres do Agro, que acontecerá no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, na manhã no dia 27 de junho, um sábado, último dos três dias da PecBrasil, novo nome da antiga PecNordeste).  

Rita Grangeiro surpreendeu os 150 empresários, produtores rurais, agrônomos, técnicos agrícolas e professores e alunos dos cursos universitários de agronomia e economia presentes, na última quinta-feira, 21, no Cresce Ceará, ao dizer que, recentemente, teve de usar um dos seus tratores para limpar uma área toda plantada de feijão verde, cuja produção se perdeu por falta de braços.  

Prevenindo-se contra um possível agravamento da situação, ela teve a ideia genial de experimentar uma cultura para a qual a mão de obra da mulher parece estar mais bem adaptada do que a do homem: a do maracujá. E com seu time de mulheres, todas empregadas formalmente, deu início à plantação das mudas do que já se vislumbra um bom negócio.  

E o coco verde? O que acontece com a colheita dele? – foi a segunda pergunta da coluna, levando em conta que são dezenas de hectares plantados de coco, cuja produção se dá nos 365 dias do ano.  

“Tenho de disputar quase no tapa essa mão de obra masculina, que chega a custar R$ 5.900,00 por mês. Só assim consigo colher o coco e atender à nossa clientela que cresce por causa da qualidade dos nossos produtos”, explica ela, que também fala sobre a escassez de braços de homem para a colheita do feijão verde

“Tenho a impressão de que, daqui a pouco, por causa do Bolsa Família, que parece desestimular as pessoas ao trabalho, o feijão verde se tornará uma iguaria muito cara. Já ouvi histórias de colegas empresários do setor de calçados, com fábricas em cidades do interior cearense, reclamando de que têm dificuldade de contratar pessoal para cumprir as metas de produção de sua empresa. Veja só a que ponto chegamos. E ainda se fala na redução da jornada de trabalho, como se o Brasil fosse um país rico, mas não é. A produtividade brasileira na indústria e no agro é uma das mais baixas entre os países de economia organizada”, diz Rita Grangeiro. 

Ela finaliza, porém, com uma boa nova, revelando que a presença feminina no agro cearense cresce em alta velocidade e cita, como exemplo, um percentual relevante: 20% do que hoje produz o agro do Ceará já saem de fazendas dirigidas por mulheres.  

Ela tem na ponta da língua o discurso com o qual tenta convencer suas colegas “a tornarem-se produtoras rurais, donas de fazendas e produtoras de leite, carne, frutas, hortaliças, grãos, mel de abelha, flores e plantas ornamentais, de camarão, de tilápia, enfim, de tudo o que o agro permite”.  

Por meio desta coluna, Rita Grangeiro, pintada para a guerra, transmite uma mensagem às mulheres do Ceará: 

“Saiam de trás dos seus maridos. Ponham-se na frente deles e apareçam e mostrem seu valor. E compareçam à PecBrasil, onde reuniremos duas mil mulheres do agro para falar dos problemas que nos afligem. E a falta de mão de obra é um deles.” 

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