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Comitê Gestor Estadual de Inovação Agropecuária toma posse na Casa da Indústria com a participação da FIEC e de mais 20 instituições

Em solenidade na Casa da Indústria, o Comitê Gestor Estadual de Inovação Agropecuária (CGEIA) tomou posse nesta segunda-feira (23/03), com a participação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC) e de mais 20 instituições que deverão atuar de forma articulada para fortalecer a economia cearense e modernizar a produção no campo. A iniciativa é coordenada pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

A cerimônia contou com a presença do Diretor da FIEC, José Antunes Mota, representando o Presidente da Federação, Ricardo Cavalcante; do Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Domingos Filho; da Superintendente Federal da Agricultura no Ceará, Manuela Pimenta; além de representantes do poder público, da academia e da iniciativa privada que integram o comitê

O grupo será formado, inicialmente, por membros da Casa Civil, Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri), FIEC, Sebrae, Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Banco do Nordeste (BNB), Banco do Brasil, Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Estadual do Ceará (UECE), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Universidade de Fortaleza (Unifor), Núcleo de Tecnologia e Qualidade Industrial do Ceará (Nutec), Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasp) e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com as unidades Agroindústria Tropical e Caprinos e Ovinos.

Em nome da FIEC, José Antunes Mota destacou a importância da participação dos setores industriais na iniciativa, acrescentando que o comitê poderá contribuir para a elaboração de políticas como foco nos desafios enfrentados por produtores do campo, como a escassez de infraestrutura rodoviária e de linhas de transmissão de energia.

“O problema das estradas é seríssimo no nosso estado, principalmente nessa época chuvosa. Temos, hoje, energia sobrando, mas não temos linhas de transmissão. Também existe a questão do acesso ao crédito e da falta de mão de obra. Então, precisamos ter uma presença constante e trabalhar na elaboração de um calendário de ações que reúna todos esses questionamentos e angústias e que ajude a reduzir os gargalos que nos abrangem”, afirmou Mota.

Segundo Domingos Filho, o comitê será um espaço de troca de experiências e conhecimentos entre instituições governamentais, universidades e o setor produtivo. Para o secretário, o desenvolvimento regional depende da superação de antigos estigmas de pobreza a partir da integração de esforços.

“É uma grande satisfação fazer parte desse projeto do Ministério da Agricultura que chama as instituições e a sociedade civil para que se abracem com a tecnologia e a inovação em busca de melhores soluções para o setor da agropecuária. A tecnologia é uma necessidade e, com ela, todos os desafios são superados. Por vezes, nós nordestinos fomos induzidos a achar que estávamos predestinados a viver na pobreza. Mas estamos vendo o contrário. Onde tem ciência aplicada, temos grandes superações. E, hoje, somos produtores de grandes culturas no Ceará”, pontuou o titular da SDE.

Representando o MAPA, Manuela Pimenta explicou que a implantação do comitê faz parte dos objetivos do programa MAPA Conecta, que tem como propósito aproximar agentes de inovação para gerar tecnologias voltadas às cadeias produtivas agropecuárias. Manuela ressaltou que a iniciativa é um passo estratégico e essencial para consolidar a inovação na agropecuária e, com isso, garantir competitividade, sustentabilidade e segurança alimentar.

“A inovação não acontece de forma isolada, ela acontece quando há articulação, confiança e a colaboração entre os diferentes setores. E é exatamente isso que o comitê se propõe a fazer. Conhecer a realidade do território, identificar os gargalos, mapear oportunidades, direcionar esforços de forma estratégica são etapas essenciais para que a inovação deixe de ser pontual e passe a ser estruturante”, disse.

A iniciativa nasce com uma missão estratégica: articular governo, academia e setor produtivo para elaborar um diagnóstico detalhado do ecossistema de inovação agropecuária do estado.

O objetivo declarado pela SDE é posicionar o Ceará como referência nacional em inovação agropecuária voltada ao semiárido.

O que é o CGEIA e por que a inovação agropecuária no Ceará importa agora

O agronegócio cearense cresce. Setores como fruticultura irrigada, aquicultura, pecuária de corte e leite, e caju processado ganham relevância tanto no mercado interno quanto nas exportações.

Mas há uma distância que persiste: o que a ciência produz nem sempre chega à propriedade rural.

Gargalos tecnológicos e lacunas de infraestrutura limitam a produtividade. A falta de variedades adaptadas às condições do semiárido, as dificuldades com irrigação eficiente, a conectividade precária no campo e o acesso restrito a tecnologias de precisão são problemas reais que atravessam gerações de produtores.

O CGEIA foi criado para mapear esses gargalos com rigor técnico e transformá-los em agenda de política pública.

Um arranjo amplo e representativo para o campo cearense

Essa pluralidade não é acidental.

O desafio da inovação no campo envolve múltiplas camadas — pesquisa aplicada, crédito rural, extensão técnica, regulação sanitária e capacitação profissional. O CGEIA reúne atores capazes de agir em cada uma dessas frentes ao mesmo tempo.

A integração entre universidades, bancos de desenvolvimento e órgãos de assistência técnica cria uma estrutura que pode encurtar, na prática, o caminho entre o laboratório e a lavoura.

O que muda para o produtor e o mercado do agronegócio cearense

Para quem está no campo ou no agronegócio do Ceará, o CGEIA representa algo concreto: um canal formal de influência sobre a agenda de ciência e tecnologia do Estado.

As demandas do setor produtivo passam a ter um espaço institucional para chegar aos tomadores de decisão com embasamento técnico.

O sinal mais importante que o comitê envia ao mercado é claro: o Ceará deixa de tratar tecnologia como projeto piloto isolado e passa a tratá-la como política de Estado.

Esse reposicionamento tem consequências além das porteiras. Startups agrícolas, empresas de insumos, cooperativas e instituições financeiras passam a operar em um ambiente mais estruturado para dialogar com o poder público sobre inovação.

O semiárido, por suas características únicas — convivência com a seca, necessidade de eficiência hídrica, escala da agricultura familiar e desafios logísticos —, tem potencial real de se tornar um laboratório de referência nacional. Outros estados e regiões áridas do mundo enfrentam desafios semelhantes. Soluções desenvolvidas aqui podem ter alcance muito além do Ceará.

O CGEIA foi lançado hoje. A agenda de médio e longo prazo começa a ser escrita agora. Produtores, empresas e instituições que queiram participar dessa construção têm, a partir de hoje, um canal concreto para isso.

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