Pecuária está em processo de crescimento no Ceará, puxado principalmente pela pecuária leiteira
Riquezas produzidas pelo setor no Estado cresceram mais do que o dobro da média nacional.
O Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária cearense cresceu 14% no segundo trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado foi detalhado nessa quarta-feira (17) pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece).
O setor é destaque na soma das riquezas do Estado, que acumularam alta de 2,21% entre abril e junho deste ano.
No segundo trimestre de 2026, o crescimento de 14% foi mais do que o dobro do apresentado pelo PIB do agro do Brasil, que registrou alta de 6,8%. Tanto no âmbito estadual quanto no nacional, foi o segmento que impulsionou o resultado positivo da economia, segundo análise do Ipece.
Em relação ao primeiro trimestre, o PIB cearense teve leve alta de 0,18%, enquanto a agropecuária do Estado avançou 7,17%.
O que explica a alta no PIB do agro do Ceará?
A assessora técnica do Ipece Ana Cristina Lima explica que o setor agropecuário é o que menos contribui para o PIB do Ceará, responsável por 6,9% do total das riquezas produzidas no Estado.
Apesar disso, ela afirma que o segmento tem “um grande efeito de transbordamento econômico, contribuindo com o desenvolvimento de todo o Estado, além de contribuir com as políticas de segurança alimentar”.
Segundo a especialista, ainda é bastante presente no Estado a produção de lavouras de grãos de sequeiro, representadas principalmente por milho, feijão e fava, que compõem a base alimentar dos cearenses, mas têm menor valor agregado do que os demais cultivos.
“O IBGE indica crescimento de 84% dessas lavouras em 2026 comparado com 2025. As frutas são destaque na produção agrícola, puxadas por melancia, mamão e maracujá, além da pecuária, no abate de bovinos, suínos e galináceos”, observa Lima.
Um dos pontos destacados pela assessora é o desenvolvimento da cadeia produtiva da agroindústria que, mesclando elementos da agropecuária e da indústria, alavanca o crescimento do PIB do Estado.
A agroindústria pode contribuir para o crescimento da agropecuária, com maior demanda da indústria para processar e transformar em produtos derivados, como o setor de laticínios, que demanda leite dos produtores para produzir iogurte; das frutas, com doces e sucos derivados. Isso gera maior valor agregado, contribuindo para crescer o PIB. ( Ana Cristina Lima ) Assessora técnica do Ipece
O que esperar do agro cearense
Lima, no entanto, alerta para os fenômenos climáticos que contribuem para processos de seca no território cearense, fator decisivo para o êxito agropecuário no Estado.
“Estamos sujeitos a enfrentar um El Niño forte que está se formando, com grande probabilidade de temperaturas mais elevadas e maior período de escassez de chuvas, podendo afetar o setor agropecuário nos próximos meses”, pondera.
Os resultados do PIB do segundo trimestre do Ceará ocorrem em meio à divulgação das pesquisas da agricultura e da pecuária pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2025
Na Produção Agrícola Municipal (PAM), o Estado bateu recorde, com safra avaliada em mais de R$ 6,6 bilhões. Já na Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), o Ceará chegou a R$ 7,3 bilhões, quando somadas a aquicultura e os produtos derivados de animais, como leite, mel e ovos.
“Os produtores começaram a produzir mais, inclusive a pecuária leiteira tem puxado isso para cima, melhorou o preço do leite. Os plantios que aconteceram no primeiro trimestre, com a chuva bem distribuída, facilitaram muito a produção no segundo trimestre. Estou muito satisfeito porque acho que estamos seguindo o caminho certo”, analisa o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), Amílcar Silveira.

A região da Ibiapaba é a principal produtora de tomate no Ceará
Um dos pontos destacados por ele é a retomada da pecuária de corte no Ceará, com a instalação de frigoríficos no interior do Estado. No caso da Masterboi, as obras estão previstas para começar até o início de 2027. O segmento deve contribuir para o aumento das cifras do agro no PIB cearense.
“Os produtores estão aumentando o gado confinado no Ceará, reflexo dos frigoríficos. Vai ser uma grande alavancagem. Vamos fazer inseminação artificial para termos maior produção de gado de corte”, aponta Silveira.

