O deputado estadual Moisés Braz (PT) visitou nesta segunda-feira, 1º de junho, uma experiência de produção de uvas (viticultura) no município de Barro, região do Cariri. Acompanhado da presidente Erineide Moreira e pela direção do sindicato de trabalhadores rurais, Moisés esteve na comunidade de Serrota, onde o técnico agropecuário Adaílton Josino cultiva dois hectares de uvas, além de uma pequena produção de manga e goiaba.

Após 23 anos trabalhando no Vale do São Francisco, Adaílton retornou à sua terra natal em 2014, onde deu início à produção de uvas em dois dos 29 hectares de sua propriedade na localidade de Serrota, zona rural de Barro. “Sempre tive a intenção de voltar para minha cidade e trazer esse conhecimento, desenvolver o meu lugar com o cultivo da videira. Foi assim que, em 2013, retornei para casa e implantei esse projeto”, conta ele. “De lá pra cá, a gente vem tentando sobreviver dessa atividade a todo custo”, coloca.

Adaílton também incentiva outros produtores a investirem na fruticultura. “Existem outras culturas, outras frutíferas, que são caminhos viáveis para a agricultura familiar. É uma alternativa melhor do que práticas tradicionais como plantar só milho, feijão ou criar gado. Já consegui mais três companheiros iniciando a atividade com goiaba e manga”, revela.

Moisés parabenizou Adaílton pela iniciativa. “É isso que faz com que a gente acredite e aposte na agricultura familiar. Um agricultor que, mesmo sem financiamento, pegou uma pequena propriedade e está provando que é possível produzir, melhorar a qualidade de vida, gerar oportunidades e criar empregos. É isso que nos move”, afirmou o parlamentar, que tem buscado apoiar produtores como Adaílton na busca por melhorias para a produção.
Embora seja rentável do ponto de vista financeiro, a viticultura tem menor adesão devido ao volume de investimento necessário, avalia o produtor. “A cultura da uva é onerosa e dá bastante trabalho. São dois anos para começar a ter viabilidade, depois de muito investimento e trabalho pesado”, explica ele, que diz estar reimplantando 75% do parreiral. Ele aposta na uva da variedade BSR Vitória, produzida pela Embrapa, como uma espécie mais adaptada às condições do local. “Quando iniciei, o custo de implantação de um parreiral era de R$ 60 mil. Hoje passa dos R$ 100 mil para montar estrutura de arames, posteação, rabichos e irrigação, além das mudas, que custam R$ 10 cada, direto do viveiro em Petrolina (PE)”. Atualmente, a área conta com 800 videiras, mas deverá ter 3.200 ao final da reimplantação.
O agricultor está à frente da Associação dos Produtores do Vale de Serrota, que reúne agricultores, pecuaristas e apicultores. “Todos são carentes de assistência técnica. A pecuária precisa de ferramenta para ensilagem, tanque de leite, ordenha mecânica. Apicultura sofre muito pois a abelha está no mato, onde muitas vezes não conseguem ter acesso, por isso é necessário um trator. Mas estamos trabalhando para isso”, pontua.

