Haroldo Diogo, Gentil Linhares, Luiz Roberto Barcelos e Talita Leite no meio do campo de soja da Fazenda Cristo Rei, no Maranhão
Fazenda maranhense de Gentil Linhares, aquicultor no Ceará e no Piauí, tem 12,5 mil hectares; neste ano iniciará um projeto de pecuária de corte com bois Nelore
O melhor do Ceará é o cearense, e isto é uma verdade verdadeira. Ele é mesmo o melhor na sua terra natal e, também, na dos outros. Aqui está mais uma prova: o empresário cearense Gentil Linhares, cujas empresas operam na agropecuária, na carcinicultura e na piscicultura no Ceará e no Piauí, descobriu em 2017, no interior do chuvoso estado do Maranhão, bem na junção dos municípios de São Benedito do Rio Preto e Urbano Santos, uma dádiva da natureza: área de clima estável, sem relevo topográfico, com boa e constante pluviometria, solo rico, mas tudo carente do empreendedorismo competente.
Não hesitou: adquiriu a gleba, desconhecendo que o mais difícil viria a seguir, e durante três anos lutou e venceu todos os obstáculos ligados à situação fundiária do terreno e ao demorado processo de licenciamento ambiental, tornando-o um ato 100% juridicamente perfeito.
A área que Linhares comprou estava arrendada, havia anos, à Suzano, gigante brasileira da agroindústria de papel e celulose. Seus antigos donos eram pequenos e mini proprietários rurais, com quem o empresário cearense se acertou numa relação de cordialidade que prossegue até hoje.
Gentil Linhares deu à toda área o nome de Fazenda Cristo Rei, “pois foi a fé em Jesus Cristo que sustentou minha decisão de investir no Maranhão”. A fazenda tem 12,5 mil hectares, produz soja e eucalipto e, até o fim deste ano, iniciará a implantação de um projeto de pecuária de corte, com bois da raça Nelore
Detalhe: os 75 colaboradores e a grande e cara frota de tratores, máquinas e equipamentos da fazenda são administrados por uma mulher, a engenheira cearense Talita Leite, nascida em Juazeiro do Norte e criada em Mauriti, que trocou, há 10 meses, a construção rodoviária no Ceará “por esta maravilhosa vida do agro maranhense”.
A Fazenda Cristo Rei está a 190 quilômetros a Sudeste de São Luís e a 110 quilômetros a Oeste de outro encanto natural do Maranhão, a cidade de Barreirinhas, onde começam os Lençóis Maranhenses, que vivem invadidos por turistas nacionais e estrangeiros.
No último fim de semana, Gentil Linhares levou para conhecer seu projeto maranhense o empresário e consultor em agricultura Luiz Roberto Barcelos, que, também sojicultor no Norte de Goiás, se encantou com o que viu: 2.500 hectares plantados de soja em áreas de primeiro, segundo e terceiro cultivos, todos com produtividade variando entre 58 e 75 sacas por hectare, “o que é excelente”, de acordo com Barcelos, que também viu detalhes técnicos dos talhões em que se divide a área do cultivo da soja. Esses talhões, todos retangulares, têm área média de 140 hectares.
“A drenagem está bem-feita, e tem de ser bem-feita porque aqui chove em abundância e a água da chuva não pode ficar empoçada na área da plantação”, explicou o consultor.
Luiz Roberto Barcelos, dono da Bio Raiz Agro Consultoria, atestou:
“Toda a soja desta fazenda já está perto da colheita (que começará no próximo dia 25) e podemos constatar, em todos os talhões, a uniformidade no tamanho e na cor das plantas, e isto é sinal de que tudo aqui é feito com muito boas práticas agrícolas, ou seja, com manejo técnico correto”.
Outro detalhe: a chamada praga “pé de galinha” (erva daninha que se mete entre as plantas), também observada por Luiz Roberto Barcelos, “é praticamente insignificante aqui, o que mostra, mais uma vez, os bons cuidados que a administração da fazenda dedica a esse aspecto do cultivo, outro ponto a favor do projeto”.
Mais um detalhe: toda a produção da soja da Cristo Rei já está vendida a trades agrícolas: trata-se de uma comodity com preços negociados na Bolsa de Chicago (EUA).
Mas, ao percorrer os 4.500 hectares cultivados de eucalipto da Fazenda Cristo Rei, Barcelos abriu um sorriso ao ver a gigantesca floresta que cresce não só com novas mudas, mas com a rebrota (capacidade natural da árvore de emitir novos brotos a partir do toco remanescente após o corte, permitindo o início de um novo ciclo de produção sem replantio, como ensina o Google).
Ele viu o correto alinhamento das árvores e o trabalho das máquinas que faziam a limpeza do solo. Para manter limpa essa floresta, cuja idade de corte varia de 5 a 7 anos e cujos talhões têm média de 40 hectares, Talita Leite, manobrando uma caminhonete Ford Ranger modelo 2026, de 7 marchas, inspeciona, com seus auxiliares, “tudo, todos os dias
A propósito: separando os talhões nas áreas de soja e eucalipto, há 100 km de estradas vicinais em terra batida.
“E como é a venda de tanto eucalipto?” Talita respondeu:
“Sem problema. Nosso eucalipto é 90% comercializado para indústrias de cerâmica do Maranhão e de outros estados, que a utilizam como lenha, e 10% para empresas da construção civil, pois se trata de uma árvore cuja madeira vem sendo crescentemente utilizada por arquitetos em projetos habitacionais localizados, principalmente, em áreas litorâneas, como Barreirinhas e Atins, por exemplo”.
A última novidade da Fazenda Cristo Rei: em uma área de 20 hectares, Talita Leite e seu time estão plantando a cultivar de milho Morgan 711, cuja produtividade é tradicionalmente alta.
“Se der certo, e está dando certo, vamos incluir o milho na nossa produção, que se destinará à alimentação do nosso futuro rebanho bovino de corte”, antecipa ela.
Haroldo Diogo, empresário do agro cearense, que também integrou o grupo que visitou o projeto de Gentil Linhares no Maranhão no fim da semana passada.
“Se no Ceará chovesse como aqui, nós seríamos uma potência agrícola. Mas creio que o seremos, pois estamos dando passos na direção certa nas chapadas do Araripe, Apodi e Ibiapaba, onde as coisas estão acontecendo.”

